Floating Points: DJ, jazzista e cientista

O multitalentoso produtor londrino Sam Shepherd faz set hoje no MIS

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2011 | 00h00

Se em 2011 as fronteiras do dubstep são elusivas, a pluralidade que influencia o gênero em que atuam Burial, Kode9, Actress, Four Tet, assim como o quase pop James Blake, se aplica em mais do que um sentido a Sam Shepherd, prodigioso DJ inglês que se apresenta em São Paulo hoje, no Museu da Imagem e do Som.

Shepherd, cujo nome artístico é Floating Points, é residente da Plastic People, casa noturna que foi responsável, com a rádio pirata Rinse FM, pela propagação do dubstep. Suas composições, todas disponíveis no endereço (www.soundcloud.com/floatingpoints) vão do house, ao hip hop, influenciadas pelas peripécias sonoras do estilo. De acordo com o próprio, não cabem sob o guarda-chuva do pós-dubsteb, rótulo criado para definir o estado atual do gênero.

"Na verdade, 10% do meu trabalho tem uma influência nítida de dubstep. Minha música tem alma, influências de todos os lados. E afinal de contas o que é pós-dubstep? Se quer dizer que estou fazendo música depois do auge do gênero, então é verdade. Mas também faço coisas que soam como se tivessem sido feitas antes."

No caso de Shepherd, o nome realmente não engloba todas as vertentes de seus interesses. Fascinado pelas possibilidades da improvisação, o músico aperfeiçoa sua técnica pianística desde os 9 anos. Após o colegial, em vez de escolher uma faculdade de música (pensou em estudar composição na Royal College of Music de Londres, mas desistiu por causa do currículo tradicionalista) escolheu farmacologia. Ao mesmo tempo em que estudou, conseguiu tempo para fazer um disco de jazz, com arranjos orquestrais de sua própria autoria, que foi lançado pela famosa gravadora Ninjatune. "Com todo o resto, a minha música eletrônica e meus sets, estou me divertindo. Mas as coisas mais gratificantes são as que faço com o meu grupo", conta, referindo-se ao trabalho do Floating Points Ensemble.

O interesse pela farmacologia o levou a um Ph.D. em neurociência, na qual atualmente pesquisa os impactos da dor no sistema nervoso. "A dor é um paradigma interessantíssimo que nos ajuda a enxergar o sistema nervoso como um todo. Se nós nos aprofundamos nela, conseguimos compreender melhor os outros sentidos", explica. Quando indagado sobre a relação de seus interesses científicos com a sua produção artística, disse que não há nenhum, mas confessou que é complicado se dividir entre eles.

É uma opção semelhante à de Dan Snaith, produtor conhecido como Caribou, que lançou o ótimo disco Swim no ano passado e tirou seu Ph.D. em matemática quando era mais jovem. "Eu falo bastante com o Dan", conta Shepherd. "Já tive minhas crises de "o que estou fazendo" "ninguém me ajuda", mas continuo já que todas essas coisas são muito fascinantes."S

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