Flip discute origens do futebol no Brasil

Roberto DaMatta e José Miguel Wisnik seduzem público com discussão sobre o esporte mais popular do País

Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de S. Paulo,

06 de julho de 2008 | 15h35

O mais popular esporte do Brasil, ao ser introduzido no País, provocou reações violentas por parte de intelectuais como Lima Barreto, que defendiam a "pureza" cultural brasileira contra sua "descaracterização" pela cultura inglesa. Hoje, depois de várias copas mundiais, ninguém se lembra mais dessa história, mas o sociólogo e antropólogo Roberto Da Matta fez questão de recordá-la para defender o trânsito intercultural como o que permitiu a introdução do esporte inglês. E o fez durante a Flip, em um debate com o professor de literatura e crítico José Miguel Wisnik, um torcedor do Santos que acaba de lançar pela Companhia das Letras justamente um livro sobre o tema. Da Matta desenvolveu uma teoria sobre as razões de o futebol ter se transformado no esporte popular que revelou ao mundo jogadores como Pelé e Ronaldo. Primeiro, porque tem a ver com o pé, parte do corpo humano importante num país em que a capoeira é praticada por distintas classe sociais com predominância, no tempo do Império, de pessoas de extratos menos elevados. O futebol, assim, abriria uma possibilidade de igualdade social singular num país de graves diferenças de classe. Segundo, colocaria a justiça ao alcance dos menos favorecidos com a expectativa da vitória. E, por último, a experiência do ataque resultaria no crescimento da auto-estima nacional de craques oriundos das classes populares, humilhadas e ofendidas. Wisnik, que foi criado em São Vicente jogando futebol de várzea, destacou a importância desse convívio social com o esporte para a construção de sua identidade de torcedor do Santos, isso bem antes de o time ser campeão do mundo e de Pelé ter feito sua fama. O debate foi um dos mais concorridos da Flip, provocando reações apaixonadas da platéia quando Da Matta revelou ser torcedor do Fluminense. Aplaudido até então, foi vaiado, mas perdoado por sua vibrante exposição do tema.

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