Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Flip começa nesta quarta com homenagem a Drummond

Com orçamento de R$ 8,4 milhões, evento estreia curadoria de Miguel Conde

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h08

PARATY - A Festa Literária Internacional de Paraty de hoje faz lembrar muito pouco o evento que levou 6 mil pessoas e autores do porte de Eric Hobsbawm e Julian Barnes à cidade fluminense em 2003. O número de visitantes saltou para 20 mil e o clima intimista se perdeu. Mas a lista de escritores cultuados e premiados que Liz Calder, a idealizadora, conseguiu trazer nos primeiros anos e que os curadores vêm se esforçando para manter, segue o padrão e é um dos maiores atrativos da festa.

Na edição que começa nesta quarta-feira, 4, à noite com uma fala de Luis Fernando Verissimo sobre os 10 anos da festa, conferência dos críticos Silviano Santiago, colunista do Sabático, e Antonio Cicero sobre Drummond e show do Lenine e Ciranda de Tarituba, estarão Ian McEwan, Hanif Kureish e Enrique Vila-Matas, que já participaram de outras edições, e ainda Adonis, James Shapiro, Stephen Greenblatt, Jonathan Franzen, Dulce Maria Cardoso, Rubens Figueiredo, Zuenir Ventura, Francisco Dantas e outros.

E isso custa. A Flip, orçada em R$ 8,4 milhões, é um dos eventos literários mais caros do Brasil. Uma pequena parte desse valor, R$ 1,4 milhão, é destinada às ações da Flipinha e da Flipzona, que envolvem crianças e adolescentes de Paraty e região.

É também um dos eventos mais charmosos do País, e serve de inspiração para tantos outros, como a Fliporto, de Olinda.

O boom das festas literárias, aliás, será debatido pelo Itaú Cultural no Museu do Forte nesta tarde. E o Itaú Cultural não é a única instituição a organizar eventos paralelos extraoficiais.

A Off-Flip já é tradição e organiza conversas com escritores, exposições e shows. A Casa Sesc receberá os vencedores de seu prêmio literário para conversas com o público. Na Casa do Instituto Moreira Salles, serão gravados programas da Rádio Batuta com os escritores convidados. Há muitas outras casas espalhadas pela cidade, sempre com alguma programação cultural, tentando pegar carona na Flip, recebendo bem seus autores, no caso das editoras, e entretendo o público que não conseguiu ingresso para os debates - a tenda dos autores comporta 800 pessoas.

A Casa de Cultura hospeda a programação paralela oficial. Lá, João Ubaldo Ribeiro e Walcyr Carrasco falam sobre Jorge Amado. Haverá ainda, entre outras atividades, uma exposição sobre Carlos Drummond de Andrade, o escritor homenageado desta edição.

Estreia. Este é o primeiro ano de Miguel Conde à frente da curadoria da Flip e ele conseguiu um time de bons autores estrangeiros e de também bons - e não previsíveis - escritores brasileiros. E ele só teve duas baixas até agora: Richard Sennett, logo que a programação foi anunciada, e o Nobel J.M.G. Le Clézio, que cancelou a vinda na última sexta e será substituído pelo catalão Enrique Vila-Matas, que subirá, assim, duas vezes ao palco.

"O grupo de escritores reunidos nesta Flip dá um panorama da ficção contemporânea em contraponto a uma ideia da literatura atual excessivamente autocentrada. A maior parte dos autores desta Flip, pelo contrário, faz da literatura um espaço também de discussão de temas da nossa época e faz a aproximação da literatura com outros tipos de discurso, como o histórico e o autobiográfico, mas sempre apostando no que a literatura tem de mais próprio e potente", avalia.

Duas mesas o deixaram especialmente feliz. Uma delas é sobre autoritarismo na sociedade brasileira, com Fernando Gabeira e Luiz Eduardo Soares. A outra, de Ian McEwan e Jennifer Egan. "Ele é um exemplo desses escritores que fazem da literatura um espaço de pensamento sobre o mundo sem com isso deixarem de investir no que a literatura tem de mais próprio. Escrevendo sobre uma história que se passa na 2.ª Guerra ou sobre o aquecimento global, assuntos a respeito dos quais a gente acha que sabe o que as pessoas vão falar, e, apostando na perspectiva individual, ele traz algo de novo", diz.

Quem não conseguiu ingresso para a festa, que termina no domingo, pode acompanhar os debates pelo site do evento.

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