Flip chega à 5.ª edição apostando na diversidade

Festa Literária começa nesta quarta-feira com apresentação da Orquestra Imperial

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h26

Do desprendimento do mexicanoGuillermo Arriaga à sisudez do sul-africano J. M. Coetzee, aFesta Literária Internacional de Parati, a Flip, inicia nesta quarta-feira, 4, à noite (com a apresentação da Orquestra Imperial) suaquinta edição e vai até domingo sob a marca do ecletismo. Depoisque eventos políticos, sobretudo internacionais, deixaram fortesrastros nas festas passadas, a meta agora é apostar nadiversificação. Algo tão bem encarnado pelo homenageado desteano, Nelson Rodrigues, que foi dramaturgo, escritor e cronistaesportivo, tratando desde as mazelas da classe média urbana comoexaltando os feitos do Fluminense e da seleção. "A unanimidade é burra", disse ele, certa vez, com uminesperado tom profético. Afinal, Nelson sabia, como poucos,transformar histórias em armadilhas envolventes. É o caso, porexemplo, de O Beijo no Asfalto, uma das peças mais popularesdo dramaturgo, que ganha uma leitura no sábado, às 22 horas, naTenda dos Autores. Escrita em 1960 a pedido da atriz FernandaMontenegro, a peça tem uma trama simples: um homem atropeladopede um beijo antes de morrer. Arandir, que estava passando pelolocal do acidente, atende ao desejo do homem. A partir daí, vêsua vida entrar em um turbilhão. "Quero que os participantes façam intervenções. Querotodo mundo no palco, inclusive a platéia", conta Bia Lessa, quevai dirigir um elenco eclético formado por Liz Calder, Chacal,Nelson Motta, Sérgio Sant’Anna, André Sant’Anna, SilvianoSantiago, Jorge Mautner e outros. Todos ficarão no palco ao mesmo tempo. Atrás deleshaverá uma projeção de Miguel Rio Branco: uma imagem de umcachorro vira-lata adormecido na rua. Um grupo de ritmistasficará responsável pelas intervenções sonoras como ruídos etrilhas musicais. Bia planejou uma leitura sem começo e fim:"Quem for chegando à tenda já encontrará os autores no palco,batendo papo. E pode terminar assim também."Mesas: mais esperadas O Beijo no Asfalto ganhará edição trilíngüe (português inglês e francês), editada pela Nova Fronteira, que tambémlança uma graphic novel da história. Já a Agir, que vempublicando a obra em prosa do escritor, alimenta a festa comdois livros preciosos: O Óbvio Ululante, crônicasmemorialísticas, e O Berro Impresso das Manchetes, íntegra detodos os textos publicados na revista Manchete Esportiva, nadécada de 1950. Nelson será ainda tema de debates coordenadospor sua filha Sônia Rodrigues. E, nas noites de quinta e sábado,no Che Bar, em Paraty, ocorre o projeto Doses LiteráriasBuchanan’s, esquetes de, no máximo, três minutos, com os atoresDomingas Person e Ivo Müller. A atividade mais esperada, no entanto, serão as 20 mesasreunindo escritores nacionais e estrangeiros. Um dos momentosmais esperados está programado para a noite de sábado, quando oganhador de Nobel J. M. Coetzee vai ler trechos de seu romanceinédito, Diary of a Bad Year. Outra premiada com o Nobel, a também sul-africana NadineGordimer, se destaca em meio a uma constelação de grandes nomesda literatura, como o israelense Amós Oz, o moçambicano MiaCouto, o inglês Robert Fisk, o americano Lawrence Wright (prêmioPulitzer pelo livro O Vulto das Torres) e os argentinos AlanPauls e César Aira. Dos autores brasileiros estão confirmados Antônio Torres Fernando Morais, Chacal, Paulo Lins, Ruy Castro, Paulo CésarAraújo, Verônica Stigger, Mário Bortolotto e outros. Umapalestra que deve despertar interesse é a do historiador LuizFelipe de Alencastro: o clássico O Coração das Trevas, deJoseph Conrad.

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