Flip 2008 homenageia os 100 anos da morte de Machado

No evento, que começa nesta terça, escritor será lembrado por palestras, montagens teatrais e filmes

Ubiratan Brasil, de O Estado de S. Paulo,

01 de julho de 2008 | 18h04

Escritor homenageado pela Festa literária Internacional de Paraty, a Flip, deste ano, Machado de Assis será lembrado em diversas oportunidades. Uma das mais importantes ocorre na terça-feira, 1, às 19 horas, quando o crítico Roberto Schwarz apontar, em sua palestra, a Poesia Envenenada de Dom Casmurro. Trata-se de um trabalho inédito. A Flip 2008 começa nesta terça e conta com grandes nomes internacionais em sua programação. Veja também:Confira as principais atrações e a programação completa da Flip 2008  O Bruxo do Cosme Velho será lembrado também por diversos lançamentos. A Jorge Zahar Editor, por exemplo, lança, durante a festa literária, a versão em quadrinhos do conto A Cartomante, de Flávio Pessoa e Maurício Dias. Já a Editora Livro Falante lança dois títulos de Machado em audiolivro. Com narração de Rafael Cortez, os livros são Dom Casmurro e O Alienista. Em agosto, virão as versões de Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. A obra machadiana será lembrada também no cinema e teatro, em Paraty. A Casa de Cultura vai abrigar a mostra Machado de Assis ABL/Cineclube Paraty, com uma série de filmes consagrados como Missa do Galo e Azyllo Muito Louco, de Nelson Pereira dos Santos, e Quanto Vale ou É Por Quilo?, de Sérgio Bianchi. Uma palestra de André Klotzel, diretor de Memórias Póstumas, filme que também será exibido na mostra, abre o circuito. No teatro, a programação traz a adaptação do conto Um Homem Célebre, em forma de musical e com direção de Pedro Paulo Rangel, estrelado por Suely Franco. E ainda a apresentação da peça Nonada, montada pela Companhia do Feijão, que retoma célebres personagens machadianos. Ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco faz uma palestra baseada em seu livro A Economia em Machado de Assis (Jorge Zahar), que trata de temas financeiros da época. E diariamente estará aberta aos visitantes a exposição de fotos O Rio de Janeiro de Machado de Assis no Acervo do Instituto Moreira Salles, com imagens da cidade na segunda metade do século 19 e início do século 20, época em que viveu o escritor, registrada por Marc Ferrez, Augusto Stahl, Georges Leuzinger e Augusto Malta. Histórias, aliás, que também não faltam à Flip, cujo anedotário já está recheado, como mostram os seguintes exemplos: A passagem por Paraty em 2007 parece ter feito bem ao sul-africano J.M. Coetzee. Segundo seu agente literário, coincidência ou não, depois de participar da Flip, o escritor tornou-se mais amável e menos irredutível em relação a participar de eventos. Apesar de não ter concedido nenhuma entrevista e de ter limitado sua participação à leitura de um capítulo inédito de seu novo romance, sem direito a perguntas da platéia, Coetzee foi visto distribuindo sorrisos pelas ruas de Paraty, onde comprava doces caseiros. Já o rei da simpatia foi historiador inglês Eric Hobsbawm, participante da primeira Flip, em 2003. Além de atender pacientemente qualquer pessoa que o parasse na rua, ele tinha o hábito de diariamente, às 6 da manhã, dar longas caminhadas, de tênis e short. Um dia, chamou a atenção de um grupo de garotos, que passou a acompanhá-lo a distância. Buscando uma aproximação, o historiador foi se apresentar: "Oi, sou o Hobs." Quem brincou dizendo que quase teve uma crise de identidade foi o jornalista Zuenir Ventura. Embora autor de trabalhos famosos (1968 - O Ano Que Não Acabou), sua fisionomia foi confundida com a de outros escritores. Numa manhã, ele se surpreendeu cercado por um grupo de mulheres, ávidas por serem fotografadas ao seu lado. "Nunca imaginamos que ele tivesse um fã clube tão animado", contou Ruy Castro, testemunha da cena. "Só que, na hora de ir embora, elas se despediram com um ‘tchau, Saramago’." No mesmo dia, Ventura foi novamente confundido, mas com Millôr Fernandes.

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