Flávio Marinho monta "Dia das Mães" no Rio

Uma comédia de costumes italiana escrita por Edward Albee, Tennessee Williams ou outro dramaturgo de língua inglesa, com pitadas de Nélson Rodrigues. Tudo isso e um pouco mais é Dia das Mães, nova peça escrita e dirigida por Flávio Marinho, que estréia amanhã no Teatro Vanucci. Eva Wilma é Beatriz Gurjão, a mãe, que recebe os filhos Leonardo (Marcelo Escorel) e Igor (Giuseppe Oristanio), que lhe traz como presente uma audição com o violonista da noite Laurindo Bonfá (Sérgio Loroza). Durante o almoço, os três se agridem e declaram amor familiar, regidos pelos comentários do músico."Deve ter influência desses autores anglo-saxões, porque eu os li e estudei muito, mas abrasileirei todas as situações e acho que as pessoas vão se ver no palco, com essa família", dizia Marinho na semana passada, antes do primeiro ensaio aberto para o público. Quase não há ação física, mas todos têm muito a falar, de si mesmo, dos outros e da vida em geral. "No início, fiz a peça pensando na Eva Wilma, a quem amo desde os anos 60, no tempo de Alô, Douçura, mas todos os atores e personagens têm a mesma importância."Eva Wilma vem de outro esquema de produção, mas entra logo no jogo. No ano passado, ficou seis meses em Portugal, com a peça Madame, que tinha textos de Eça de Queirós e Machado de Assis e apoio do governo português. Agora, participa de uma produção independente, em que Marinho investiu R$ 75 mil, depois de receber negativas de 72 possíveis patrocinadores. Ela chega, cuida da própria roupa e maquiagem e nega ser a estrela do espetáculo. "É um quarteto, todos têm a mesma importância. Flávio é generoso quando nos deixa opinar, mas a idéia é toda dele."Giuseppe Oristanio faz coro. Ele trabalha com Flávio Marinho pela segunda vez - fez a turnê nacional de Salve Amizade - e ainda se surpreende com o desprendimento do autor com o texto. Eva Wilma declama e faz rir e chorar sendo comedida ou exagerada como a mãe dominadora. Oristanio, como um emergente deslumbrado, sabe ser ridículo e comovente, enquanto Escorel, como um homossexual resolvido, mistura perplexidade e certezas. Loroza, como o músico de outra classe social, costura a relação entre eles."Ser jornalista durante 15 anos me ensinou duas coisas sobre teatro: coordenar as idéias, porque escrever uma peça nada mais é que redigir uma resportagem, e permitir que mexam no meu texto", comenta Flávio. "Além disso, creio que tenho talento para reunir pessoas que se dão bem. Minha equipe é a mesma há muitos anos e contribui em todos os aspectos do espetáculo."Até ontem, Marinho temia a reação do público. Acostumado ao sucesso desde os anos 80, quando começou a dirigir shows na extinta boate People e nos diversos espetáculos que dirigiu e/ou escreveu, ele ainda teme a reação da platéia. Na semana passada, ao abrir um ensaio aberto, confessava: "Vocês vão decidir se a gente acertou ou não. Se acharem que tem alguma coisa esquisita, não é porque que não entenderam, foi a gente que errou." Naquela sessão, o público adorou e aplaudiu de pé.

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