Flávia Monteiro afasta rótulo de boa moça

Nada de trancinhas ou vestidos floridos e compridos. Flávia Monteiro aparece na piscina do Hotel Glória, no Rio, onde está hospedada, exibindo vasta cabeleira ruiva e muita sensualidade. Afinal, a hora é de mostrar que deixou a "tia" Carolina, de Chiquititas, de lado e está encarando a maturidade. Aos 29 anos, a atriz quer exorcizar o fantasma da bondosa diretora do Orfanato Raio de Luz, que interpretou por quase cinco anos na novela do SBT, e mostrar a ousadia de Judy, no musical Free Som, que está em cartaz no Rio e chega a São Paulo em outubro.No espetáculo, escrito e dirigido por Marcelo Sabback, Flávia vive uma jovem cantora que sonha com o estrelato, mas que, para chegar lá, acaba fazendo concessões à mídia e transforma-se numa "tchutchuca" rebolativa. Ao lado da atriz, em Free Som, estão Françoise Forton e Maurício Branco, que interpretam a mãe e o irmão de Judy, além de Cláudia Mauro, Cláudio Lins, Luiza Curvo, Janaína Lince e Kiko Mascarenhas.Desde maio Flávia vem fazendo aulas de canto, street dance e arte circense. Suas mãos chegam a ter as marcas das cordas pelas quais tem que subir e descer, fazendo contorcionismos durante os ensaios.Você foi convidada para protagonizar a próxima novela do SBT, "Pícara Sonhadora", e não aceitou por causa de "Free Som". Por que essa peça a seduziu?Flávia Monteiro - Porque é bem diferente de tudo o que já fiz. Ela fala de um grupo de jovens, com seus questionamentos, angústias, pessoas que correm atrás de seus ideais e não pensam em fazer concessões, mas acabam cedendo aos apelos do mercado, ao que a mídia espera deles. No final, o grupo acaba não fazendo o que gostaria nem sendo o que é de verdade para poder fazer sucesso.É em tom de crítica? Não chega a ser exatamente uma crítica. Mas tem uma hora, por exemplo, em que uma gravadora independente quer bancar a gente, mas o som deles não é vendável, então rejeitamos. Judy acaba vulgarizando o trabalho dela, em função da necessidade de dinheiro, fama, assédio de fãs...Você aparece com aqueles shortinhos curtíssimos no espetáculo? Apareço de biquininho!A idéia é romper mesmo com o rótulo da mocinha doce e ingênua... Aí está o meu desafio. Quero dar uma desmistificada nisso. Free Som é uma semente para o início desse processo. A idéia é fazer uma personagem bem diferente depois. De heroína meiguinha já estou calejada.Você tem medo de ser vista como a eterna boa moça? O público brasileiro tem mania de rotular os atores. Depois, todo mundo só consegue enxergá-los daquela forma. Em um determinado trabalho, o personagem combina tanto com o intérprete que as pessoas acham que você é aquilo ali. O ator tem que poder mudar, sempre com a possibilidade de erros e acertos. Se a oportunidade de mudar surgir, como no meu caso, ótimo. Quero fugir do rótulo de menina.Se em meio a essa nova fase surgir uma proposta para posar para uma revista masculina... Não tenho problema em posar nua. Mas tem que ser um trabalho muito bem-cuidado e bem-remunerado. Quando se é adolescente, você fica meio mal com seu corpo. Hoje, estou muito feliz e não vejo problema em mostrá-lo.Você resolveu terminar seu namoro em Buenos Aires para se dedicar integralmente à sua carreira no Brasil? A carreira sempre em primeiro lugar. Não adianta você ser casada, apaixonada, viver um relacionamento maravilhoso e não ser feliz profissionalmente. Chega um ponto em que o questionamento aparece e, com ele, a cobrança, a discussão... Acho que isso ia acontecer, cedo ou tarde, com o Martin (produtor da Telefe, em Buenos Aires) e comigo. Ele não poderia largar sua carreira, seu país, enfim, sua vida lá e vir para cá. Achei melhor sacrificar alguma coisa agora do que depois.Mas você pensa em se casar e ter filhos? Ano que vem faço 30 anos. Confesso que isso me assusta. Gostaria de encontrar uma pessoa e lá pelos 32 anos ter um filho. De preferência, com tempo e disponibilidade para me dedicar a ele. Mas ainda não é o meu momento.

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