Divulgação
Divulgação

Fito Paez celebra 20 anos de 'El Amor Después del Amor' no Brasil

Argentino reproduzirá o álbum na íntegra e na ordem das faixas sem alterar os arranjos, em shows de SP e POA

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2012 | 03h10

Fases de transição nas relações amorosas costumam render bons discos na música pop. Bob Dylan, Marvin Gaye, Beck, Damon Albarn (do Blur) e mais recentemente Adele e os brasileiros Otto, Pélico, Lucas Santtana e a banda Vanguart depositaram suas dores em altas doses de melancolia em álbuns marcantes. Com o argentino Fito Paez algo parecido se deu. Só que em vez de mágoa e angústia pelo fim do relacionamento com a cantora Fabiana Cantilo ele preferiu celebrar a chegada de uma nova paixão, a atriz Cecilia Roth. Essa foi a matéria-prima do bem-sucedido álbum El Amor Después del Amor, que ele apresenta na íntegra nesta quinta-feira, 26, em São Paulo para celebrar os 20 anos de sua gravação.

"Esse disco foi inspirado no amor e não no desamor", diz Paez. "Naquela época me apaixonei por Cecilia e o disco reflete todo esse momento de paixão e de loucura do amor. Foi um momento lindo, delirante. Os discos contam histórias distintas, não creio nas fórmulas mágicas de 'isto funciona', 'isto não funciona' e tampouco me interessa. O que me interessa é tocar, gravar canções, escrever, sair em turnê e tocar o piano. O resto quem quiser que analise."

Com participações de Charly García, Luis Alberto Spinetta, Mercedes Sosa e Andrés Calamaro, entre outros, o disco foi um grande êxito de crítica e público, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Uma de suas mais belas canções, Un Vestido y Un Amor, dedicada a Cecilia, foi gravada depois por Mercedes Sosa e Caetano Veloso, entre outros. Depois de São Paulo, ele leva o show a Porto Alegre. "Quando canto nessas duas cidades me sinto em casa. Adoro o Brasil e sempre escolho essa terra para gravar meus discos, descansar e passar dias com meus amigos", diz o cantor e compositor.

Paez vai reproduzir o álbum na íntegra e na ordem das faixas sem alterar os arranjos. Em seguida ele a banda tocam temas de outras fases de sua carreira. "Ouvi as versões originais com os músicos da banda e nos demos conta de que funcionavam muito bem da forma como foram gravadas e concebidas. Por isso resolvemos deixá-las praticamente iguais quase sem mudar os arranjos."

Um dos nomes mais conhecidos da música pop argentina dentro e fora do país, Paez também teve canções gravadas pelos Paralamas, como a que dá título a esse disco, El Amor Después del Amor. Porém, a velha questão é que Caetano e Paralamas talvez sejam mais conhecidos na Argentina do que Paez é no Brasil, situação típica por que passam outros artistas sul-americanos. O músico discorda que outros conterrâneos seus tenham menor impacto aqui do que os brasileiros lá. "A mim não parece que haja desinteresse do público brasileiro, ao contrário. Há 20 anos que vou cantar no Brasil e me sinto em casa. É um povo maravilhoso e há muitos artistas argentinos que viajam para cantar aí todos os anos", desconversa.

Porém, é fato que o tango e a música folclórica atravessam mais facilmente a fronteira do que o pop-rock. Paez diz que analisar a situação do rock em seu país não interessa a ele. "Me interessa a música. Posso falar de canções, de artistas, de filmes ou de livros, mas não sou um analista da realidade do rock na Argentina. Sou um músico que faz música todos os dias de sua vida."

Em seu álbum mais recente, Canciones para Aliens, gravado em Trancoso, na Bahia, Paez ousou recriar clássicos da música internacional como Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel), Somebody to Love (Freddie Mercury), Te Recuerdo, Amanda (Victor Jara) e Construção, de Chico Buarque, que participa cantando com ele outra canção, Tango (Promesas de Amor), de Ryuchi Sakamoto e Taelo Donuki. Agora já tem todas as canções prontas para outro álbum de inéditas, que pode gravar a qualquer momento. "Paralelamente estou quase terminando de revisar meu primeiro livro, chamado Novela."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.