Fiorucci volta a disputar mercado da moda

Uma das mais influentes marcas da virada dos anos 80 volta para recuperar seu espaço nos Estados Unidos. A Fiorucci, que passou quase duas décadas desaparecida das ruas de Nova York, retorna com uma megastore que mistura moda, comportamento, design, serviços e entretenimento. Além de entrar também em cidades como Los Angeles e Miami, a empresa italiana pretende lançar uma série de outras marcas européias no país, por meio de minilojas dentro de suas megastores.O momento não podia ser melhor para a volta da Fiorucci. O revival dos anos 80, a volta do "Madonna Look" (a cantora era adepta da marca dos dois anjinhos em sua fase Like a Virgin porque seu irmão, Christopher, era vendedor da filial de Los Angeles) e a consagração das "lojas-evento" promovem o cenário perfeito para o relançamento. No caso de Nova York, a empresa também escolheu uma ótima localização: a porta de entrada do SoHo, no encontro da Broadway com a Houston Street.Dividida em vários pisos, a nova loja vende as coleções masculinas e femininas da Fiorucci, uma linha interminável de acessórios e objetos para a casa. O Fashion Café serve salgados, doces e sucos; uma seção para o corpo apresenta cosméticos variados e um salão de beleza, do renomado Aldo Coppola, deve abrir até o fim do ano. Com apelo jovem e decoração colorida, a loja oferece produtos com preços que vão de US$ 18 a US$ 350.Conceito - Foi o milanês Elio Fiorucci que inventou, nos anos 60, o conceito da miniloja de departamentos - adotado nos anos 90 por marcas como DKNY e inspiração de redes como a Urban Outfitters (que ocupa hoje o endereço original da Fiorruci, na 59th Street, e de quem é hoje vizinha na região de Downtown). A partir da metade dos anos 70, a marca ganhou espaço no mercado internacional e o empresário se tornou uma celebridade fashion.Com lojas em Nova York, Londres, Los Angeles, Paris e outros lugares da Europa, Elio ganhou ajuda criativa de amigos como Andy Warhol, Keith Haring e Terry Jones (o fundador da revista I.D.). Assinando coleções estiveram Vivienne Westwood, Jean Paul Gaultier e Katherine Hamnet, entre outros.Pouco antes da metade dos anos 80, o empresário vendeu parte da empresa para um grupo japonês, negociação que resultou no fechamento das lojas dos Estados Unidos. Apesar de ter continuado presente em diversos pontos do mundo por meio de licenciamentos e manter um suposto faturamento de US$ 140 milhões por ano, a Fiorucci nunca mais foi a mesma.A idéia agora é tentar uma ressurreição no estilo da Gucci, que ressurgiu das cinzas nos anos 90 e virou sinônimo de sofisticação. O estilo Fiorucci envelheceu bem: é sexy, divertido e tem preços acessíveis. Pode conquistar as fãs de Britney Spears e J.Lo, mas também ganhar caráter cult.Mas para retomar o posto a estratégia é mais forte. A empresa planeja transformar a loja de Nova York em uma espécie de centro cultural, com a promoção de desfiles de moda, exposições e sessões de filmes. O primeiro grande evento é o relançamento do filme Downtown 81, que Elio Fiorucci dirigiu no início dos anos 80, tendo como estrelas os amigos Jean Michel Basquiat e Debbie Harry. Um CD e um livro sobre a produção vão estar sendo vendidos com exclusividade na loja.

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