Fim do ineditismo dá à mostra sabor de prato requentado

Análise: Luiz Zanin Oricchio

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h09

O mais antigo festival do País andava sem rumo havia alguns anos. Com dificuldade em encontrar longas-metragens inéditos para sua competição, vinha selecionando quase só documentários e, no ano passado, optou por uma mostra praticamente exclusiva de novos diretores. Perdia, assim, a abrangência no âmbito do cinema de autor que o colocara como referência no atravancado calendário de festivais no Brasil.

Este ano, sob nova gestão, Brasília muda. Antecipa sua data (realizava-se havia vários anos em novembro) e, medida mais polêmica, "flexibiliza" o critério de ineditismo. Três dos seis competidores da mostra principal já passaram por outros festivais. De inéditos, mesmo, apenas Hoje, de Tata Amaral, Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper, e O Homem que Não Dormia, de Edgard Navarro. Os outros, Meu País e Trabalhar Cansa, além do filme de abertura, Rock Brasília, foram exibidos no Festival de Paulínia, e As Hipermulheres, em Gramado. Mesmo o longa de Navarro já teve sessão pública em Salvador.

Com a opção, Brasília começa com ar de déjà vu, gosto de prato requentado. A maior parte dos filmes já foi vista e apreciada pela crítica nacional. E daí?, pode-se perguntar. Para o público local, continuam inéditos. Verdade. Mas um festival de ponta pode se contentar com repercussão apenas local? Enfim, é apenas uma experiência, que contenta o lobby dos cineastas, interessados em exibir seus trabalhos no maior número possível de festivais, mas tira de Brasília sua grife de lançadora de filmes e de tendências. É uma decisão a ser acompanhada em seus efeitos, mas tem todo o jeito de ser um senhor tiro no pé.

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