Fim de uma fase em canções de outros tempos

O violão plangente, de toque peculiar, erudito, e a voz curtida ressoam na sala sem amplificação de som, nem muita luz, entre histórias e canções. Revezando-se ao violão e ao cello, João Omar abre o concerto, que como diz o nome é um ensaio. Da Casa dos Carneiros, Ensaiando o Riachão do Gado Brabo pretende percorrer as principais capitais brasileiras. Em São Paulo a data ainda não está definida, mas segundo Elomar, já tem produtor cuidando disso.

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 04h27

João Omar diz que ainda não sabe se o formato do concerto vai seguir como o mesmo da estreia, em que mais parecia um sarau informal entre amigos. Elomar revelou canções que compôs durante vários períodos da carreira, como os sambas Naquela Favela e Samba do Jurema, além de O Robot e Mulher Imaginária, feitos quando tinha 18 anos e ainda estava no Tiro de Guerra. "Naquela época todo mundo se preocupava com arte, com cultura. A gente queria ler obras belas, falar bonito. Quando fiz esses sambas ainda procurava um rumo, seguindo a influência da época", diz ele, que admirava Francisco Alves e gostava de sambas antigos. "Hoje é tudo vagabundo, malfeito."

Os sambas são raridades "estranhas" ao seu estilo que se definiria a partir do primeiro LP, Das Barrancas do Rio Gavião, de 1972. Desse álbum foi extraída a canção que o revelaria para um público maior, Retirada, ao integrar a trilha sonora da novela Gabriela, de 1975. Essa mesma gravação ressurge agora na nova versão do folhetim. Outras de suas peças voltam na reedição dos discos Cantoria e Cantoria 2, com Xangai, Geraldo Azevedo e Vital Farias.

O novo CD será gravado este ano, paralelamente ao de João Omar, com peças para violão compostas por Elomar, que também estão no concerto. Um dos pontos altos é a complexa Amarração, que o autor dedicou a Dércio Marques, um de seus maiores intérpretes, morto recentemente.

Essas são as últimas canções que Elomar pretende gravar. Na nova fase só tem investido nas óperas. "De toda forma essas óperas têm árias, cada uma mais linda do que a outra. É até bom porque a gente muda um pouco a visão do público em relação à canção. A canção se transforma em ária", diz João Omar. / L.L.G.

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