Filósofo Young-Oak Kim no congresso de design

Durante os anos 80, Young-Oak Kim, professor de uma das mais disputadas classes de filosofia da história das universidades coreanas (ele chegou a dar aula para turmas de mais de mil estudantes), alinhou-se aos alunos que protestavam contra a situação política do país. Além de sua atitude, imperdoável para um catedrático na Coréia, o mestre é dono de um humor ferino que não agrada muito aos confucionistas em geral, razões que o levaram a se afastar do meio acadêmico da filosofia oriental. Também biólogo e médico acupunturista, dramaturgo e roteirista, Oak Kim está no Brasil pela primeira vez para falar de sua mais recente especialização, a filosofia a serviço do design de interiores. Ele veio a São Paulo a convite do Congresso Nacional de Design de Interiores (Conad), que será realizado de amanhã (21) a domingo no Hotel Meliá (Avenida das Nações Unidas, 12.555, tel. 3043-8000). Na palestra que apresenta amanhã, o filósofo vai mostrar (por meio de mais de 320 slides) exemplos de como a filosofia do tao, sobre a qual trabalhou em mais de seus 30 livros, pode possibilitar a transformação dos ambientes em espaços realmente inteligentes para a convivência humana.Oak Kim avisa que, apesar de trabalhar com os conceitos de energia e dos elementos, seu pensamento é bastante diferente do feng shui, prática de geomancia que virou febre entre os decoradores ocidentais nos últimos tempos. "O feng shui, como tem sido aplicado, não passa de mera subcultura", diz o filósofo multimídia, que entrou para o universo da arquitetura de interiores após construir sua casa, há dez anos.As reflexões sobre a casa, como ele denomina seus trabalhos, estão de acordo com a maior parte das discussões do congresso, que reúne, este ano, designers do mundo inteiro sob o tema A Concepção dos Espaços e a Dimensão Humana. "De acordo com o tao existem dois tipo de design: o de Deus, que é a natureza, e o do homem, que é sua intervenção sobre o primeiro" ensina ele. "Todo desafio é fazer com que esses dois se integrem de maneira harmoniosa".Um dos exemplos que ele mostrará durante a palestra é a residência Younk Yung-Dang, que literalmente significa pássaro migrante que usufrui da casa. O filósofo explica se tratar de uma casa construída por um rei. "Para mim é um dos mais precisos exemplos da harmonia de chi (energia) dentro de uma casa", descreve. Para o especialista, a iluminação e a disposição de plantas são dois dos principais fatores do bom design de interiores".Do circuito internacional, também estarão apresentando palestras a presidente do Instituto Australiano de Design, Madeline Lester, o presidente da Associação de Designers da Ásia Young Baek Min, o presidente da Federação Internacional de Designers e Arquitetos de Interiores, Des Laubcher.

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