''Filmo a fragilidade das ideologias''

Agnieszka Holland prossegue falando de Andrzej Wajda e de seus filmes.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

Segundo a internet, você trabalha atualmente num "projeto sem título de Wajda". O que é isso?

Como tenho feito nos últimos anos, estou ajudando Andrzej a formatar seu novo filme. Em Katyn e Tatarak, ele desenvolveu diferentes formas de ser intimista e até autobiográfico. Estamos naquela fase de discutir ideias, no pré-roteiro, para outro filme intimista.

Você estudou cinema em Praga. Por que e não em Varsóvia?

Depois da primavera de Praga, nos anos 1960, o país conheceu a repressão do regime militar, mas de qualquer maneira queria sair de casa, testar meus limites. Praga estava ali do lado. Fui muito afortunada. Fiz teatro e TV. Sou até hoje próxima de Andrzej Wajda. E (Francis Ford) Coppola me chamou para fazer O Jardim Secreto.

Você não teve problemas de adaptação em Hollywood?

Coppola achou que eu seria a mais indicada para adaptar o livro de Francis Hogdsen Burnett. Eu própria duvidava de sua escolha. Me sentia uma diretora comprometida com a realidade e a política e, de repente, estava adaptando um clássico infantil. Mas Coppola tinha razão. O Jardim Secreto permanece como o maior sucesso de público da minha carreira. Até hoje encontro espectadores que o viram quando crianças e comentam como foi a experiência.

No Brasil, seu maior sucesso de crítica foi Os Filhos da Guerra.

Tanto quanto o comunismo, o nazismo foi outro flagelo na Polônia, e no mundo. Agora mesmo finalizo Hidden, sobre o resgate de judeus na cidade polonesa de Lvov, ocupada pelos nazistas, durante a 2ª Grande Guerra. No caso de Os Filhos da Guerra, interessou-me muito a história desse garoto judeu que, para sobreviver, filia-se à juventude de Hitler e vira o retrato acabado do ariano. Quer discussão mais rica? A crise de identidade, a fragilidade da ideologia?

É diferente fazer filmes na TV, como O Primeiro-Ministro?

Não creio que tivesse filmado diferente. Posso ter usado lentes e câmeras diferentes, mas os planos não teriam mudado se a produção fosse para cinema. A grande diferença é que tive maior duração, o que foi um ganho para os personagens e as situações.

Por que está na França?

Divido meu tempo entre a Polônia, a França e os EUA, onde faço muitas séries (Cold Case, Wire etc). Adoro Paris. É o melhor lugar do mundo para se ver filmes novos e antigos.

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