Filmes em série, para a classe C

Projeto Cinema Popular tem como meta lançar seis longas em três anos e meio

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

Fazer seis longas-metragens em apenas três anos e meio, de qualidade, mas com apelo comercial, tendo como alvo a classe C. Os objetivos do projeto Cinema Popular, lançado terça-feira no Rio, com apoio de nomes como Daniel Filho e Nelson Pereira dos Santos, não são nada modestos, e seus realizadores sabem bem disso.

Quem encabeça a empreitada é Roberto Talma, diretor com quase 40 anos de TV Globo, seu filho, o cineasta estreante Raphael Vieira, e o sócio deste na Coqueirão Pictures, Diogo Dahl (por sua vez, filho de Nelson Pereira dos Santos).

A ousadia se deve à retaguarda provida pelo banco BMG, que vai bancar o projeto. Serão liberados de R$ 4 milhões a R$ 8 milhões, segundo o presidente do banco, Ricardo Guimarães, e os produtores poderão correr atrás de outras empresas para viabilizar os filmes. Espera-se que o fato de eles serem pensados em série baixe os custos, graças ao reaproveitamento das equipes de filmagem, equipamentos, cenários...

"Não são filmes de orçamento absurdo, de R$ 30 milhões. Eu sempre pensei que a grande produtividade e o know-how que a gente tem na TV deveria ser usado no cinema", disse, durante o lançamento, Talma, que vai dirigir Gota d"Água, o terceiro da fila de seis, e sua primeira incursão no cinema. "Queremos dar simplicidade às histórias, com enfoque na classe C, que manda no País." A adaptação do musical de Chico Buarque e Paulo Pontes de 1975 terá Lázaro Ramos no papel de Jasão.

Para dezembro está previsto o início das gravações de Dores de Amores, outro espetáculo teatral de sucesso, este de 1989. Será a estreia de Raphael, que tem 28 anos, na direção, e a ideia é começar pequeno, com orçamento baixo e apenas duas câmeras. A estreia deverá ser já em março de 2011. Milhem Cortaz, um dos atores mais prolíficos dos últimos anos, está confirmado no elenco. É um entusiasta do projeto. "Vai ajudar o cinema brasileiro. Eu adoraria vê-lo dividido em vários gêneros, terror, comédia, e não como o gênero "cinema nacional". Precisamos sair um pouco dos filmes de denúncia social, falar de amor."

Raphael, que já dirigiu curtas, e Diogo, produtor de 38 anos, são amigos desde 2006. Ambos são crias de diretores com atrizes (Raphael é filho de Maria Zilda; Diogo, de Ana Maria Magalhães). Já trabalharam juntos, mas só depois de conseguir a garantia do BMG puderam sonhar mais alto. "A pressão é grande, mas estamos muito felizes. Foi por falta de apoio que até hoje não construímos uma indústria no Brasil", avaliou Diogo.

COMÉDIA, ROADMOVIE, MUSICAL...

Eis os primeiros projetos selecionados pelo Cinema Popular, no período de dezembro a 2014;

Dores de Amores

Versão da premiada comédia romântica de Leo Lama, sucesso com Malu Mader e Taumaturgo Ferreira.

Bamo Nessa

Roadmovie para o público jovem, a cargo de Clóvis Mello. conhecido diretor de comerciais.

Gota d"Água

Adaptação de Geraldo Carneiro. Elenco terá Osmar Prado e Izabella Bicalho.

Amor Olímpico

Filme que pega carona nos jogos olimpíadas de 2016, no Rio, e dará destaque à paisagem natural da cidade.

How To Be a Carioca

Comédia que tem como base

o guia turístico bem-humorado da norte-americana Priscila Ann Goslin.

A Casa dos Budas Ditosos

Roberto Talma dirigirá a adaptação do livro de João Ubaldo Ribeiro. Sônia Braga viveria a personagem com a qual Fernanda Torres brilhou no teatro.

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