Filmes de guerra antológicos hoje na TV

São duas visões da guerra, que provocam espanto por motivos diversos - Glória Feita de Sangue, cartaz do Telecine Classic (Net/Sky), às 22 horas, é o clássico antibelicista que Stanley Kubrick dirigiu em 1957, enquanto O Resgate do Soldado Ryan, que o canal AXN (TVA, DirecTV), programou para o mesmo horário, foi rodado por Steven Spielberg mais de 40 anos depois, em 1998, caprichando no realismo ao mostrar o desembarque do Exército aliado no Dia D. O filme de Kubrick é ambientado na 1.ª Guerra Mundial quando um oficial, interpretado por Kirk Douglas, assume a defesa dos soldados que são injustamente acusados de covardia. Na verdade, eles serão condenados à morte para encobrir os erros do próprio alto comando. O filme é poderoso justamente por mostrar a barbárie de um conflito, cujas dimensões não são apenas vistas no campo de batalha, mas também (e principalmente) nas salas de reunião em que o destino dos homens é traçado sumariamente. O filme, hoje uma obra-prima, ficou anos retido pelo comitê de guerra, incomodado com a forma cruel dos oficiais - soa extremamente incômoda a repetição de uma famosa frase de Samuel Johnson: "O patriotismo é o último refúgios dos canalhas." Kubrick contou também com a importante presença de Kirk Douglas, que aceitou o projeto indiferente aos riscos que colocaria sua carreira. Se Glória Feita de Sangue exibe cicatrizes morais ainda abertas, O Resgate do Soldado Ryan apresenta a famosa seqüência de 25 minutos em que detalha a carnificina da invasão da Normandia na 2.ª Guerra Mundial. O realismo é espetacular ao mostrar como os soldados aliados foram recebidos pelos nazistas no conhecido Dia D, 6 de junho de 1944, decisivo para a vitória das forças do bem. O detalhismo da troca de tiros chega a incomodar e representa o grande trunfo do filme, que se transforma na evolução de uma história particular.

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