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Filmes brasileiros integram mostras paralelas em Veneza

'Girimunho' e 'Histórias Que Só Existem Quando Contadas' serão exibidos no festival

AE, Agência Estado

31 de agosto de 2011 | 10h04

Este ano o Brasil participa do Festival de Veneza com dois longas-metragens: Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins, de Minas Gerais, na mostra Horizontes, e Histórias Que Só Existem Quando Contadas, de Julia Murat, nas Jornadas dos Autores (Giornate degli Autori). Ambas são mostras paralelas. Dois filmes radicalmente autorais pelo que se depreende da conversa com seus diretores.

Julia Murat (filha da cineasta Lúcia Murat) estreia na ficção com um filme ambientado no Vale do Paraíba, onde moram 11 mulheres de idade sem praticamente qualquer contato com outras pessoas. O cotidiano das senhoras é quebrado pela chegada de uma jovem fotógrafa. "Basicamente é um filme sobre o conflito de gerações, contado com alguns traços de realismo fantástico", diz a diretora.

Girimunho (redemoinho, em "mineirês") é também ambientado na zona rural, em Minas Gerais naturalmente, Estado de origem dos diretores Clarissa Campolina e Helvécio Marins, ambos da produtora Teia. Por coincidência (ou talvez não) as protagonistas de Girimunho, a exemplo do que acontece em Histórias Que Só Existem Quando Contadas, são pessoas idosas. Maria Sebastiana, a Bastu, e Maria do Boi, ambas com 83 anos e moradoras em São Romão, contam a própria vida sob forma ficcional. Quer dizer, interpretam-se a si mesmas.

"Eu acho que vai se comunicar bem com os europeus", acredita Helvécio Marins. "Em especial porque, ao contrário de meus curtas-metragens, Girimunho é mais narrativo, tem começo, meio e fim". O filme é resultado de oito anos de trabalho, "feito com muita calma", diz o diretor, que tem 38 anos de idade e fala mansa. Helvécio também tem boa expectativa em relação ao Festival de Veneza que, badalação à parte, vê com bons olhos o cinema de autor.

Sabe que é fácil se perder no gigantismo de um evento em que dezenas de filmes e astros midiáticos disputam a atenção dos espectadores. "Há quem saia das sessões com 10, 15 minutos de projeção, mas quem ficar vai se emocionar com as histórias de Bastu e Maria do Boi", diz. Além de Veneza, Girimunho está também nos festivais de San Sebastián e Toronto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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