Filme vai ser atração no Rio

Sua mãe foi uma daquelas matriarcas destemidas - e duronas - que fizeram avançar a 'América'. Sob sua influência, Diana Vreeland esculpiu uma biografia fictícia e até hoje há controvérsia sobre se mãe e filha integraram o show itinerante do lendário Búfalo Bill, morto em 1917. Diana já estava com 11 anos. Garota, ela era muito feia e a mãe a chamava de 'my ugly little monster', meu monstrinho feio. Assim desafiada, ou fortalecida, a garota podia ter suas frustrações com a aparência, mas isso nunca a impediu de brilhar e num meio como a moda, onde o visual é tudo.

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2011 | 03h10

Lisa Immordino Vreeland conta essas histórias numa entrevista por telefone, de Nova York. Mulher do neto de Diana, Tim, ela se voltou para a figura dessa mulher extraordinária, que marcou seu tempo e cuja importância segue incontestável. Diana era chamada de 'alta sacerdotisa da moda' e o impacto de suas opiniões sobre 'estilo' fizeram dela um ícone. Lisa está por trás de dois projetos que resgatam Diana - o livro (leia acima) e o documentário que será exibido no Festival do Rio, sugestivamente numa janela, ou seção do evento, que se abre para personalidades excepcionais.

Foram dois anos e meio de pesquisa e preparação, incluindo entrevistas com Tim Vreeland, Ali MacGraw, Richard Avedon, Anjelica Huston, Oscar de La Renta, Joel Schumacher, Verushka, Marisa Berenson, Tai Missoni e Calvin Klein. "O filme, propriamente dito, foi feito em seis meses, entre dezembro do ano passado e maio. Foi um prazo curto, mas nos havíamos preparado bastante." Lisa fala no plural e a prova de que seus dois pesquisadores foram fundamentais pode ser avaliada por sua decisão de conferir a Bent Jorgen Perlmutt e Frederic Tchengo o crédito de codireção.

"Gostaria de ir ao Rio, mas estou presa aqui por compromissos profissionais. Bent Jorgen vai levar o filme e tem tantas condições de encarar o assunto quanto eu." The Eye Has to Travel foi exibido no recente Festival de Veneza, acompanhado de uma exposição de fotos e objetos pessoais de Diana. A exposição chega a Nova York no outono. "Marco Muller (NR - diretor artístico da mostra no Lido) nos pediu uma versão curta. Cortamos 8 minutos, o que parece pouco, mas sempre representa um sacrifício. Prefiro a versão que será apresentada no Rio. É mais completa."

Como editora da Vogue e da Harper's Bazaar, Diana Vreeland revolucionou a cobertura de moda, nos EUA e no mundo. "Diana era muito exigente com os outros e consigo mesma. Ela não buscava menos do que a perfeição, mesmo convencida de que dificilmente poderia atingi-la. Isso fazia dela o terror dos colaboradores, mas, paradoxalmente, era uma mulher generosa. O filme mostra como ajudou, não apenas com palavras, a alavancar carreiras na moda e no jornalismo."

Mais do que glamour, Diana era obcecada por estilo. "É seu legado. O glamour pode ser comprado, mas Diana valorizava o estilo como expressão pessoal. Ninguém precisa de diamantes nem roupas caras para brilhar. Sua mãe deu duro para manter a família e garantir às filhas uma boa educação. E a mãe sempre incentivou a que elas seguissem um caminho independente."

A diretora admite que ficou tensa ao mostrar o filme para os filhos de Diana. "Eu não a conheci pessoalmente, mas tentei, de todas as formas, reconstruir sua trajetória. É a mãe deles. Se tivessem achado que eu havia traído Diana, eu me sentiria muito mal." Lisa diz que o título se impôs quando o leu num texto da própria Diana. "O olho tem de viajar." É uma metáfora do cinema, o repórter afirma. "Mais que isso, define o sentido da vida de Diana."

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