Filme mostra espião que precedeu fundador do Wikileaks

A cada novo episódio, a história do criador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, se parece mais com a do americano Christopher Boyce, protagonista de um antigo filme de John Schlesinger rodado há 25 anos, "A Traição do Falcão" (The Falcon and the Snowman). O título está sendo recolocado no mercado pela Fox Home como parte de um pacote de DVDs clássicos (que inclui também "O Homem de Alcatraz", "O Vento Será Tua Herança" e "Ratos e Homens", entre outros).

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2010 | 12h00

Há muito em comum entre o hacker Assange e o jovem espião Boyce, que vendeu segredos sobre a construção de satélites americanos para a extinta União Soviética nos anos 1970. Boyce, naturalmente, pertence a uma outra geração. Assange mal completara três anos quando o americano já trabalhava para a TRW, firma aeroespacial californiana que hoje responde pelo programa Star Wars e mantinha estreitas ligações com a CIA.

Boyce e seu parceiro de espionagem Daulton Lee foram presos, o primeiro em 1977 e o segundo um ano antes. Condenado a 40 anos de prisão, Boyce cumpriu pena na penitenciária de Lompoc, Califórnia, escapou em 1980, foi novamente preso um ano depois e solto em 2002. Há dois anos livrou-se da condicional, justificando seus atos de espionagem como tentativas de acabar com a Guerra Fria entre EUA e a ex-União Soviética. A história rendeu um livro do jornalista Robert Lindsey, "The Falcon and the Snowman: A True Story of Friendship and Espionage", best-seller de 1980 que serviu de argumento para o filme de Schlesinger, lançado cinco anos depois. Nele, Timothy Hutton interpreta o papel de Boyce e Sean Penn aparece como o aloprado Daulton Lee, traficante de cocaína (o que explica seu codinome Snowman, homem da neve, em uma tradução literal).

A história, como se vê, é sórdida. Não que Boyce fosse o espião angelical retratado por Schlesinger - ele é visto como um ex-seminarista solitário sempre acompanhado de seu falcão de estimação e leal ao amigo Lee, por mais maluco que fosse. O diretor, claro, estava empenhado em defender sua tese: como seria possível a Boyce ser fiel a princípios morais quando crescera na era Nixon? Fisgado pelo argumento, o espectador atesta que Boyce tem ainda mais coisas em comum com o australiano Assange. Afinal, Assange, hacker desde os 16 anos, vive repetindo que o vazamento de informações confidenciais dos governos por seu Wikileaks é fundamental numa época como a nossa, marcada pelo cinismo das autoridades e dos representantes governamentais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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