Filme italiano mostra Máfia vista por seus próprios integrantes

Obra conta história de rapaz que se deixa seduzir pelo poder e dinheiro proporcionados pelo ingresso na máfia

Silvia Aloisi, da Reuters,

07 de setembro de 2004 | 13h37

Como se sente um "soldado raso" da máfia? A pergunta está no centro de Il Dolce e l'Amaro, de Andrea Porporato, que estréia nesta terça-feira, 4, como um dos três filmes italianos da competição principal do Festival de Cinema de Veneza.Cobrindo um período de 20 anos, o filme conta a história de Saro Scordia, um rapaz esperto que cresce na Sicília e se deixa seduzir pelo poder e o dinheiro rápido proporcionados pelo ingresso na máfia.Depois de seu pai morrer num motim numa prisão, Saro vira protegido de um chefe mafioso local e vai pouco a pouco ascendendo na Cosa Nostra, tornando-se um matador que é enviado ao norte da Itália para atuar em assaltos e assassinatos. Mas sua maioridade como bandido coincide com um desencanto crescente com o mundo da máfia e seus chamados homens de honra, dispostos a mudar de lado e trair quem se interpõe em seu caminho.Diretor jovem que já trabalhou em dramas de TV sobre a Máfia, Porporato disse que procurou explorar um lado da máfia diferente daquele retratado em clássicos com os dirigidos por Francis Ford Coppola e Sergio Leone. "O que é original em meu filme é que a máfia é vista desde o ponto de um vista de um criminoso de baixo escalão, e não da perspectiva de um chefão", disse o diretor à Reuters em entrevista.Saro é representado pelo respeitado ator italiano Luigi Lo Cascio, 39 anos, cujo primeiro papel como ativista anti-Máfia verídico morto pela Cosa Nostra nos anos 1970 foi um grande sucesso. Saro "não se dá conta de que é o vilão", disse Lo Cascio a jornalistas após a sessão do filme para a imprensa. "Ele vê a máfia como referência, como modelo. A crise se dá quando ele se desilude e enxerga o vazio de tudo o que o tinha seduzido." Uma das poucas personagens positivas no filme é a professora Ada, que Saro ama mas que recusa seu pedido de casamento porque não quer viver com um mafioso.   Apesar do tema sombrio, o filme tem seus momentos engraçados. Porporati disse que um de seus favoritos é um assalto a banco em Milão em que a caixa não entende o dialeto siciliano do mafioso que exige que ela lhe entregue o dinheiro. "Isso faz você rir e também mostra a situação de pessoas que se sentem marginalizadas até segurarem uma arma na mão. Mas a idéia não é justificar seus atos", disse o diretor.

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