Filme 'Fausto' é uma adaptação do clássico de Goethe

"Fausto", obra-prima do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, publicada em 1808, não é um livro fácil. O diretor russo Aleksandr Sokurov tentou captar o ambiente de decadência moral e financeira que permeou a Europa no século 18, onde é ambientado o livro, para criar sua versão cinematográfica. O longa "Fausto", que estreia nesta sexta-feira nos cinemas, assim como o livro, também não é um trabalho fácil de assistir. O filme, de 2h15 de duração, no entanto, prima por excelentes fotografia e direção de arte, que deverão agradar a quem busca um cinema mais autoral.

AE, Agência Estado

29 de junho de 2012 | 11h02

As dificuldades para assistir ao longa começam pelo incomum formato da tela. Ele não é wide screen, 16:9, 4:3, nem cinemascope, mas quadrada com as bordas arredondadas. Além disso, as lentes utilizadas distorcem a imagem (ou como o diretor queria interpretar a realidade), deixando-a desfocada nas bordas. A diferente fotografia é mérito de Bruno Delbonnel, indicado três vezes ao Oscar por "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001), "Eterno Amor" (2004) e "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" (2010). No ano passado, o longa ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e, no Brasil, encerrou a Mostra de Cinema de São Paulo.

O filme narra a história do estudioso Fausto, ávido pelos saberes do mundo, porém desiludido com a limitação dos conhecimentos de seu tempo. Com a promessa de ganhar dinheiro, sabedoria e a mulher que ama, Fausto vende sua alma para Mefistófeles. Mas o demônio não é retratado como um ser chifrudo e assustador. Ele se assemelha muito a um humano, mas é deformado fisicamente, assexuado e com uma proeminente corcunda. Em uma das cenas mais fortes do filme, podemos vê-lo nu, entrando em uma terma repleto de mulheres. Nenhuma delas, no entanto, parece se incomodar com o jeito repulsivo de Mefistófeles.

Para criar o cenário de época, o diretor e sua equipe pesquisaram imagens em galerias de arte, além de obras de artistas plásticos alemães, como Caspar David Friedrich (1774-1840). O resultado é um ambiente que imediatamente remete ao espectador uma sensação de repulsa e estranhamento, assim como na leitura de "Fausto". Ao público que está acostumado com o cinema de Hollywood, o longa poderá ser considerado chato e cansativo. As informações são do Jornal da Tarde.

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