Filme evoca os clássicos Cidadão Kane e Rashomon

Sem entrar em detalhes quanto ao final, A Rede Social termina com Mark Zuckerberg dizendo à assistente que não é uma má pessoa. Ela concorda, mas acrescenta que nunca viu uma pessoa como ele, que faça tanta questão de ser considerado babaca. Essa observação remete ao começo do filme, quando a namorada rompe com Zuckerberg e o acusa de ser "babaca".

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

No texto ao lado, o roteirista Aaron Sorkin diz que o Facebook gostaria que David Fincher tivesse contado a história de A Rede Social exclusivamente do ângulo de Zuckerberg, mas essa não era a intenção do diretor. Ele reconstitui a história da criação da plataforma de comunicação de diversos ângulos. O filme evoca Cidadão Kane e Rashomon, mas possui uma pegada particular.

É um filme adulto sobre jovens, mostrando a desintegração de uma amizade. O homem que cria a maior ferramenta de comunicação da história termina sozinho, atrelado à mulher que perdeu. Bilionário, mas solitário. Há algo da tragédia de Charles Foster Kane na solidão de Mark Zuckerberg.

Na trama, Eduardo Saverin quer entrar numa daquelas fraternidades exclusivas de Harvard. Seu amigo Zuckerberg segue o atalho mais curto. Invade, como hacker, o sistema de cadastramento e cria uma database para mapear todas as garotas da universidade. A história começa assim, e começou assim de verdade. Ficou cada vez mais complexa, o que o filme esclarece e ilumina.

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