Filme de Woody Allen narra desventuras de uma família

Woody Allen estava certo quando exigiu que a frase "Uma comédia romântica de Woody Allen" fosse retirada do cartaz brasileiro. O filme, embora tenha humor e romantismo, está longe de se enquadrar no gênero água com açúcar. Em "Você Vai Conhecer O Homem Dos Seus Sonhos", que chega hoje aos cinemas, o diretor continua sua investigação sobre pequenos e grandes pecados, culpas, superstições e crenças religiosas - como em outras obras dele, como "Crimes e Pecados" e "Match Point".

AE, Agência Estado

26 de novembro de 2010 | 09h02

"Você Vai Conhecer o Homem Dos Seus Sonhos" conta a história dos desencontros amorosos de uma família. O imbróglio é mais ou menos o seguinte: o setentão Alfie(Anthony Hopkins) troca a esposa Helena (Gemma Jones) por uma garota de programa (Lucy Punch). Sally (Naomi Watts), filha de Alfie e Helena, tem problemas com o marido, o escritor fracassado Roy (Josh Brolin). Enquanto Sally nutre uma paixão pelo seu chefe (Antonio Banderas), Roy aproxima-se de uma vizinha sensual e misteriosa (a belíssima indiana Freida Pinto, a mocinha de "Quem quer ser um Milionário?").

Com tantos casais se desencontrando, o filme poderia ser uma típica comédia de erros e mal-entendidos. Não é o caso. Aos 75 anos e com 40 filmes no currículo, Allen parece querer discutir filosoficamente seus pontos de vista sobre vida, morte e Deus. Para evitar que a mãe, Helena, sucumba à depressão pós-separação, Sally sugere que ela busque conforto com uma vidente. Detalhe: Sally sabe muito bem que a tal vidente é uma charlatã, mas acredita que ela pode ser mais eficaz (no combate à depressão) do que os remédios que sua mãe tem tomado para ficar bem.

Paralelamente, Roy recebe mais uma negativa de seu editor - e põe em dúvida seu talento como escritor. Como salvar sua carreira? O destino quis que um amigo, aspirante a escritor, ficasse em coma após um acidente de carro. Roy, que já havia lido o manuscrito de um livro ainda não lançado deste amigo quase morto, resolve roubá-lo e lançá-lo como se ele próprio tivesse escrito a obra.

Embora Allen continue duvidando de Deus e guarde doses de escárnio para videntes e afins, ele parece aceitar que a crença em outras vidas e forças superiores pode ser um conforto. Em um momento do filme, Helena diz que não é preciso se preocupar com as coisas que dão errado nesta vida. Sempre haverá outra e outra e outra vida. A chance de acertar numa delas, portanto, deve ser razoável. Allen não crê, mas guarda um olhar de compreensão sobre as forças ocultas da vida. As informações são do Jornal da Tarde.

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