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Filme de James Franco retoma polêmica de 'Parceiros da Noite'

Ator divide direção de ‘Interior. Leather Bar’ com Travis Mathews e revive 40 minutos cortados do filme dos anos 1980

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2013 | 19h22

Com Interior. Leather Bar, os diretores James Franco e Travis Mathews buscam recuperar uma falta: a reconstituição dos 40 minutos cortados do filme Parceiros da Noite, rodado em 1980 por William Friedkin e com Al Pacino como o policial que frequentava, disfarçado, clubes gays sadomasoquistas em busca de um serial killer. O trecho eliminado mostrava cenas de sexo entre homens.

Interior. Leather Bar marcou a abertura do 21.º Mix Brasil, festival com filmes que tratam de diversidade sexual. Mathews está em São Paulo, formando o júri, e falou com o Estado.

O fato de James Franco vir do cinema convencional gerou um tipo diferente de energia?

Existem diversos elementos que se entrelaçam e dão a Interior energia e forma únicas. E não há como negar que o envolvimento e a inclusão de James no filme geraram uma energia que, do contrário, inexistiria. Não sei de nenhuma outra celebridade do primeiro escalão interessada em produções que ficam entre filmes de arte com orçamento pequeno e as grandes produções de Hollywood como James.

Seu interesse no filme teve a ver com a sexualidade do personagem?

Nosso desejo era ter um ator (Val Lauren) numa aventura como a vivida pelo personagem de Al Pacino em Parceiros da Noite. Ambos se envolvem numa subcultura gay que contesta suas noções de sexualidade e ambos retornam para o outro lado mudados de algum modo. Em Parceiros, é sugerido que Pacino se transforma numa pessoa monstruosa, mas, no nosso filme, é mais complicado, com um resultado menos sombrio. Nosso desejo foi mostrar mo a homofobia ainda está muito viva, mas também como as coisas mudaram desde 1980. O filme inteiro, desde a sua construção até as ideias que exploramos, tem a ver com barreiras – sexuais, criativas, artísticas – e essa odisseia sexual não é exceção.

Como foi escalar o elenco?

O personagem principal, Val Lauren, é amigo de James. Mas todos os demais foram convidados por mim, porque foram atores com quem trabalhei antes, como Brenden Gregory, do meu curta I Want Your Love, ou vieram de uma convocação que fizemos semanas antes da filmagem. Esta convocação foi interessante porque todas essas pessoas não sabiam nada além de que se tratava de um projeto de Franco envolvendo relacionamentos homossexuais. Quando expliquei o escopo do projeto e o que implicaria, houve inúmeras perguntas e ares de preocupação. Inicialmente, achei que deveria colocar no elenco somente homens que apoiavam entusiasticamente o projeto, mas ficou claro que teríamos de incluir basicamente todos que se apresentaram. Fazia sentido incluir homens que, como Val, estavam apreensivos quanto ao que poderiam ver ou ter como experiência. Eles apoiaram sua aventura.

Como se sente quando seu trabalho é chamado de pornográfico?

Não me incomoda. Em primeiro lugar, não é uma batalha que conseguirei vencer, convencer todo mundo de que o meu trabalho não é pornográfico. Mas o mais importante é que, se ele puder expandir as ideias das pessoas sobre a pornografia, tanto melhor. Normalmente, qualquer tipo de sexo que incluo tem um objetivo. Nunca faço um filme tendo em mente uma pessoa diante do computador com as calças arriadas. Na verdade, estou muito mais interessado em todos os momentos sexuais que com frequência são cortados dos filmes, mas que dizem muito sobre as pessoas – momentos difíceis, divertidos, melancólicos ou piegas que todos temos, mas raramente vemos.  

FESTIVAL MIX BRASIL

Locais: CCSP, Cinesesc, Espaço Itaú Augusta, Cine Olido, Largo do Arouche. Até 17/11. Programação: www.mixbrasil.org.br

 

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