Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Filme com Pitt em Cannes retrata fim do sonho americano

"Killing Them Softly", novo filme estrelado por Brad Pitt, faz um retrato sombrio do sonho americano, misturando uma divertida e violenta história de mafiosos com uma crítica escancarada à incapacidade dos políticos em resolver a crise econômica.

MIKE COLLETT-WHITE, REUTERS

22 de maio de 2012 | 10h54

O filme se passa em uma cidade norte-americana não-identificada, onde a crise econômica chegou com força. Há casas abandonadas, lojas fechadas e bandidos de todos os níveis tentando sobreviver.

Pitt é também coprodutor da obra, selecionada para a competição oficial do atual Festival de Cannes, onde será exibido na terça-feira.

O ator interpreta o inclemente pistoleiro Jackie Cogan, chamado por uma quadrilha mafiosa para eliminar um grupo de bandidos que assaltou uma mesa de pôquer. O título ("matando-os suavemente") se refere à insistência do personagem em evitar dores e sofrimentos desnecessários na hora das matanças.

A direção é de Andrew Dominik, neozelandês com quem Pitt já trabalhara em "O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford". Ray Liotta e James Gandolfini, habitués em filmes sobre a máfia, também estão no elenco.

A mensagem política do filme é inescapável. Sempre há noticiários sendo vistos ou ouvidos em bares e carros, e o debate invariavelmente é sobre a crise financeira, o fracasso político, a ganância e o fim dos sonhos.

Barack Obama, John McCain e George W. Bush aparecem na campanha eleitoral de 2008 fazendo promessas de resgatar a economia e salvar os ideais que alicerçam a nação.

Já no final, Cogan dispara críticas a Thomas Jefferson, principal autor da Declaração de Independência dos EUA, a quem o personagem chama de mentiroso e hipócrita. ""Vivo na América e na América você está por sua conta", declara Cogan. "A América não é um país, é só um negócio."

Mas, numa entrevista coletiva após a sessão do filme para a imprensa, Pitt disse que não pretendia que o filme seja visto como um libelo anti-Obama. "Eu me inclino mais para a esquerda, e quero entender minha própria tendência, então não fico contra personagens que têm visões diferentes da minha própria. Na verdade, tenho (Jefferson) em altíssima conta."

Pitt criticou a "tóxica" divisão política nos EUA, onde o debate "tem mais a ver com o partido vencer a discussão do que a respeito das questões propriamente ditas. É um problema sério".

O ator não pareceu surpreso quando a entrevista se desviou para sua vida pessoal. Afastando os rumores de que apareceria com a mulher, Angelina Jolie, no tapete vermelho de Cannes, ele disse que a atriz nem está na cidade.

Também sobre os rumores de que iria em breve oficializar sua união com ela, ele afirmou que o casamento não tem data.

"Ainda espero que possamos resolver nossa igualdade de casamento nos Estados Unidos antes dessa data", afirmou, numa alusão ao seu apoio ao casamento homossexual.

(Reportagem de Mike Collett-White)

Tudo o que sabemos sobre:
Festival-de-Cannes-2012

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.