Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Filme com pedigree

Gagliasso não estreou 'Mato Sem Cachorro' e já tem suspense forte a caminho

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2013 | 02h20

Bruno Gagliasso está com aquele visual de cachorro vira-lata em Mato sem Cachorro, que estreia sexta-feira em salas de todo o Brasil. Na TV, em Joia Rara, veste-se de época. Ao vivo, no hotel do Itaim em que dá a entrevista, está de cara limpa e cabelo (quase) raspado, que disfarça com o chapéu estiloso. Quem é Gagliasso, de todos esses caras, todos, aparentemente, tão diversos? "Nem eu sei, cara. É um dos charmes dessa profissão (de ator). A gente está sempre mudando para dar vida ao outro."

Aos 31 anos, o marido de Giovanna Ewbank parece ter menos. "Legal, né?", ele se entusiasma. Está num momento pleno de sua vida e carreira, mas as coisas não vieram de graça. "Ralei muito", conta. Até chegar ao Deco de Mato sem Cachorro e ao Franz da novela Joia Rara, Gagliasso percorreu um longo caminho. Começou ainda criança, fazendo figuração em novelas da Globo. Em 2000, participou do seriado Malhação. Ajudou-o a despontar o fato de se haver transferido para o SBT, quando teve um papel maior em Chiquititas. De volta à Globo, foi o filho de Regina Casé em Filhas da Mãe. Desde então, contratado pela emissora, tem tido papéis cada vez maiores, até chegar a astro em Joia Rara.

Revela-se tiete das autoras da novela, Thelma Guedes e Duca Rachid. "O auê que elas fizeram com Cordel Encantado foi maravilhoso. Considero o Timóteo um de meus melhores personagens. Desde então, elas me propuseram ser o herói da próxima novela, mas eu andava com uma agenda meio cheia. Elas esperaram e a emissora também, Franz é outro personagem do qual gosto muito. Não é o herói tradicional, vive em crise, em choque com o pai, tentando se afirmar. Ainda está começando, mas sinto que poderá crescer bastante." O Deco de Mato sem Cachorro é outro carinha em crise. Abandonado pela mulher, tem um amigo abilolado que lhe dá apoio quando resolve recuperar na marra o que é seu e rouba o cachorro que ficou com Zoe, Leandra Leal.

São muito amigos, Leandra e ele. "Ela fazia uma das minhas mulheres em Passione, em que eu era bígamo." O diretor de Mato sem Cachorro, Pedro Amorim, conta que escreveu (com André Pereira) o filme para Leandra. "O André e eu queríamos colocar a cara da nossa geração na tela, com referências para quem foi moleque como a gente. O filme é cheio de coisas cifradas que não interferem no andamento da história, mas dá outro sabor para quem capta. E a gente queria a Leandra no papel. Era uma idealização nossa do feminino." Escolhida a atriz, era preciso um par com quem tivesse química. Pois foi a própria Leandra quem sugeriu Bruno Gagliasso. "Ela disse que o personagem tinha a minha cara", Gagliasso complementa.

Mato sem Cachorro não é bem uma comédia romântica nem é um desses filmes cheios de safadeza que ditam as regras no mercado do cinema brasileiro. Tem elementos de ambos. Há um triângulo amoroso meio lírico, no estilo de Domingos de Oliveira, que tromba com uma comédia de palavrão mais chula que as de Bruno Mazzeo. "A gente queria reproduzir o linguajar da nossa geração. E a verdade é que a gente fala muita merda, meu", explica o diretor. Gagliasso vai adiante. "Ah, cara, com todo respeito por Regina Duarte, é muito divertido ver a filha da namoradinha do Brasil (Gabriela Duarte) dizendo aquele monte de bandalheira."

Numa cena de bar, Gabriela empina duas ou três picuinhas e solta o verbo. Impossível repetir o que diz - aquele verbo de cinco letras e que começa com F é a coisa mais light que sai daqueles lábios. "Foi muito divertido, a gente tinha de parar para rir", conta Gagliasso. Danilo Gentili e Rafinha Bastos estão no elenco. Elke Maravilha, Sidney Magal e Sandy também participam, os dois últimos como eles mesmos. Mas não adianta. Se Mato sem Cachorro é a história de um triângulo amoroso, a questão é - Gagliasso e Leandra formam triângulo com Enrique Diaz ou com Duff? Quem?

Duff teve de ser importado dos EUA porque a produção não conseguiu encontrar um cachorro que fizesse o que o roteiro pedia (leia texto). O cão de Mato sem Cachorro sofre de narcolepsia. Excitado, desmaia. O cão une e reúne o casal do filme de Pedro Amorim. Gagliasso e Leandra tem direito a beijo (e sexo barulhento no banheiro, mas a porta fica fechada). Já que o assunto é beijo, vale lembrar que lá atrás, na novela América, em 2005, o personagem de Gagliasso, Júnior, deveria beijar o namorado, Zeca (Erom Cordeiro). Seria o primeiro beijo gay de uma novela da Globo (da TV brasileira), mas, mesmo sem, a cena, que chegou a ser gravada, não foi ao ar. Gagliasso orgulha-se do que fez. "Ainda tenho esperança de que a cena seja exibida quando América passar de novo. Vai valer a pena ver." Ele não se preocupa com a imagem de galã? "Não sou galã, cara, sou ator. E espada." A novela mal começou e está bombando. Mato sem Cachorro chega com a expectativa de arrebentar. Gagliasso está tranquilo.

Sua atenção já está voltada para Isolados, o thriller de Tomás Portella. "O Tomás fez Qualquer Gato Vira-Lata e aqui muda o foco. O filme é um suspense psicológico de fazer o público passar nervoso. Regiane Alves e eu formamos o casal que viaja para uma casa na região serrana do Rio. No caminho, ocorre um monte de assassinatos e, ao chegar lá, a trama se desenrola. O Tomás está sendo pioneiro num gênero que não tem tradição no Brasil. Se os fãs de suspense forem ver, Isolados vai abrir um nicho que terá muitos seguidores, Pode apostar." Aposta feita, Gagliasso revela: "Faço filmes que gostaria de ver".

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