Filme basco 'Emak Bakia' é o vencedor do Cine Ceará

Longa, do cineasta Oskar Alegria, mostra a busca por uma casa citada em obra de Man Ray, nos anos 1920

Luiz Zanin Oricchio/ Fortaleza, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2013 | 02h14

O sofisticado Emak Bakia, do basco Oskar Alegria, foi o grande vencedor do 23.º Cine Ceará. Além do troféu Mucuripe de melhor filme, levou os prêmios de som e também o troféu da crítica. O filme mostra a busca por uma casa citada em obra de Man Ray, nos anos 20. Emak Bakia, em basco, significa apenas "Deixe-me em paz". Através de um processo associativo, próprio do surrealismo (e da psicanálise), Alegria investiga o que se esconde por trás das palavras e das imagens. Talvez mais palavras e mais imagens, mas a obra é um elogio da busca e da aventura intelectual.

O segundo mais bem votado foi o brasileiro Se Deus Vier que Venha Armado, com os prêmios de direção (Luis Dantas), fotografia (Hélcio Alemão Negamine) e ator (Ariclenes Barroso). É um filme ambientado em São Paulo por ocasião do segundo ataque do PCC e monta sua história sobre figuras variadas - um egresso do sistema carcerário em liberdade para o fim de semana; um menino de periferia, manco de uma perna e apaixonado; uma garota de classe média que dá aulas em bairros carentes e um policial truculento, que só pensa em vingar seus camaradas mortos.

O delicado Rincón de Darwin ficou com os troféus de roteiro e direção de arte. É mais um exemplar do cinema sutil, minimalista e levemente melancólico produzido naquele país.

O outrora muito forte cinema cubano se fez representar por O Filme de Ana, que rendeu o troféu de melhor atriz a Laura de la Uz. A trama é muito engenhosa, pelo menos até seu desfecho. Fala de uma atriz frustrada que percebe sua chance com a chegada de uma equipe alemã que deseja fazer um documentário sobre a prostituição em Havana. Ana resolve passar-se por "ginetera"e a interpreta de maneira tão convincente que os alemães ficam encantados. Resolvem até passar-lhe a câmera para que documente o seu meio ambiente em toda intimidade. Nessa engenhosa oscilação entre ficção e realidade, o diretor Daniel Diaz Torres consegue manter o interesse até quase o final.  

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