Filme adapta obra-prima de Veríssimo

Muito antes das tentativas deAnselmo Duarte (Um Certo Capitão Rodrigo) e Durval Garcia(Ana Terra), nos anos 1970, o cinema brasileiro já haviaincursionado pelo denso manancial de O Tempo e o Vento. É aobra-prima de Érico Verissimo e o maior monumento literárioerigido no Rio Grande do Sul. Érico já era um escritorconsagrado quando, de volta dos EUA, lançou-se, no final dosanos 1940, à construção de sua catedral literária. Com as obras precedentes, havia traçado um painel daclasse média urbana, sendo um dos primeiros, senão o primeiroescritor brasileiro a tratar do assunto. Com O Continente,primeira parte de O Tempo e o Vento, estabeleceu as bases doseu épico sobre a formação do Rio Grande. Vem das páginas de O Continente o conflito de OSobrado. O filme que passa amanhã na TV Cultura e Arte foiproduzido em São Paulo, nos anos de 1955 e 1956, pela BrasilFilmes, uma daquelas empresas que surgiram do esfacelamento doprojeto da Vera Cruz, quando a Cinecittà dos trópicos foi àbancarrota. Rodado nos estúdios da Vera Cruz, tem direção deWalter George Durst e Cassiano Gabus Mendes e o roteiro éco-assinado por Fabio Carpi, italiano que fez carreira no Brasile depois voltou à Itália para virar diretor de obras importantecomo Quinteto Basileus. Durst e Gabus Mendes virariam, em seguida, nomesimportantes da televisão, que começava a instalar-se no País. EmO Sobrado, beneficiam-se da experiência de artistas etécnicos como o fotógrafo Chick Fowle e os montadores OswaldHafenrichter e Mauro Alice, saídos da Vera Cruz. Toda essaequipe, mais os atores Lima Duarte, Adriano Stuart e TuríbioRuiz, foi mobilizada para narrar o cerco dos Amarais ao sobradode Licurgo Cambará, integrante da mítica família dos TerraCambarás, que habitam o espaço épico de O Tempo e o Vento eatravessam o clássico de Érico lutando contra a fatalidade com aqual se defrontam a todo momento. O filme é esquemático e dilui a intensidade do original,mas possui aspectos curiosos. Afinal, Durst podia amar o cinemae o Rio Grande - dirigiu também Paixão de Gaúcho, baseado emO Gaúcho, de José de Alencar -, mas foi na TV que sedestacou. Sua Gabriela é um marco da história da telenovela.Fez de Sônia Braga uma estrela e ainda lançou a semente da´baianidade´ que até hoje alimenta Aguinaldo Silva. Serviço - O Sobrado. Brasil, 1956.TV Cultura e Arte, domingo, às 22h10

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.