Filho de Hemingway morre na prisão

Mais uma morte trágica na família Hemingway. Gregory, o caçula dos três filhos do escritor Ernest Hemingway, foi encontrado morto em uma cadeia de mulheres em Miami, após ter sido preso por exposição indecente, disseram hoje as autoridades locais. Seu pai, prêmio Nobel de Literatura, autor de O Velho e o Mar, entre outros, suicidou-se com um tiro de espingarda em 1961. Na família, o pai, a irmã e o irmão do escritor cometeram suicídio e sua neta, a atriz Margaux Hemingway foi encontrada morta em Santa Monica, em 1996.Gregory Hamingway tinha 69 anos, não se dava bem com o pai, tinha sérios problemas com álcool e sofria de depressão. Há anos ele havia se submetido a uma operação para trocar de sexo e desde então era conhecido também pelo nome de Gloria. Ele vivia no excêntrico distrito de Coconut Grove de e suas excentricidades eram conhecidas pelos habitantes boêmios do bairro. Gregory havia sido preso cinco dias antes, em Key Biscayne, ao sul de Miami, ao ser encontrado seminu, sentado na sarjeta, tentando colocar um cinto de couro florido, sem as roupas de baixo, e com uma camisola de hospital nos ombros deixando os seios à mostra. Com a chegada do policial ele resistiu à prisão. A notícia foi divulgada pelo jornal Miami Herald online, informando que, segundo Janelle Hall, porta-voz do departamento Gregory, foi encontrado morto em uma cela privada na prisão de mulheres Miami-Dade Women´s Detention Center, às 5h45 de segunda-feira, e teve morte natural. Conforme o resultado da autópsia divulgado pelo porta-voz do departamento de homicídios Juan DelCastillo, ele sofria de problemas cardíacos e hipertensão.Gregory Hemingway, nasceu em Kansas City, no dia 12 de novembro de 1931, filho de Ernest e sua segunda mulher, Pauline. Ele era médico, mas não exercia a profissão há muitos anos. Foi casado quatro vezes. Uma delas com Valerie Danby-Smith, secretária de seu pai durante os últimos anos de sua vida e o último casamento foi com Ida Mae Galliher, em Key West, em 1992. Ele escreveu um livro sobre o pai Papa: a Personal Memoir, em 1976.Os familiares e os amigos lembraram-se dele como um homem bonito, charmoso e brilhante em seus bons tempos. "Eu o amava e ele era um bom homem", disse sua filha Lorian Hemmingway, de sua casa em Seattle. "Ele era um homem que tinha muita compaixão e um sentido de busca interior, e ele suportou a necessária travessia do ser humano", disse Lorian, que é escritora e cujo livro Walk on Water foi indicado para o Prêmio Pulitzer em 1999.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2001 | 20h06

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