AP Photo/Markus Schreiber
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Filarmônica vira passarela para desfile da Chanel na Alemanha

Evento, que revisitou o estilo navy, ocorreu em marco arquitetônico localizado na zona portuária de Hamburgo

Maria Rita Alonso, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 06h00

HAMBURGO - Karl Lagerfeld decidiu apresentar a coleção de Métiers d’Art da Chanel em Hamburgo, sua terra natal, na última quarta-feira. Não houve, no entanto, nostalgia ou referências à infância ou à família. O desfile, na verdade, não teve nada a ver com o passado. Teve a ver com o futuro. Dessa vez, a passarela foi estendida por todo o sinuoso auditório do Elbphilharmonie, casa de concerto que é a nova sensação da arquitetura futurista, inaugurada no início do ano na região portuária da cidade. Assim, as modelos ziguezagueavam pelos corredores da plateia até chegarem ao palco e juntarem-se a orquestra Resonanz, regida pelo compositor, maestro e violoncelista Oliver Coates – que exibe no currículo parcerias com bandas como Radiohead e Massive Attack.

“Para mim, esse é o novo edifício mais interessante da Europa em termos de design. Jacques Herzog e Pierre de Meuron são geniais”, disse Lagerfeld, sobre a dupla de arquitetos suíços que assina o projeto. O lugar por si só já é, realmente, um espetáculo. Custou 798 milhões de euros, três vezes mais do que o planejado. Seu topo lembra a proa de um navio, com uma gigantesca estrutura de vidro ondulada sobre uma antiga fachada de tijolos típicos da região — da época em que ali funcionava um galpão de cacau.

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E foi esse o ponto de partida para a coleção, que desdobrou o tema marítimo em 76 looks, revisitando de maneira contemporânea o bom e velho navy. Os quadriculados dos tecidos surgiram, justamente, das fachadas e das pilhas geométricas e coloridas dos containers de carga, enquanto os botões reproduziam âncoras e os fios trançados de lã lembravam os nós de marinheiro. Penas, bordados, strass e pérolas faziam alusão a uma noite sofisticada na filarmônica. Já a paleta da coleção girou em torno do preto (sempre ele), do bege e de um azul marinho bem escuro, batizado de marinho midnight.

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O tweed, um clássico da marca, veio acompanhado por tecidos como o chifon, o cashmere e a flanela. Referências ao universo náutico continuaram a fluir, com listras de marinheiros e os bonés Elbsegler. 

Minissaias e meias acima do joelho acenaram para os anos 1960, época em que os Beatles se instalaram na cidade e amadureceram musicalmente (“Eu posso ter nascido em Liverpool, mas me tornei um adulto em Hamburgo”, declarou John Lennon). Smokings impecáveis de crepe e longos vestidos assimétricos representam bem o que o conceito do pre-fall da marca, baseado na confecção artesanal de 20 grandes ateliês de costura e bordado da França, adquiridos nos últimos anos pela marca. “Começamos a adquirir os ateliês 17 anos atrás, com a intenção de proteger o processo criativo manual”, diz Bruno Pavlovsky, presidente de moda da Chanel ao Estado. “Fomos os primeiros a desfilar nessa época do ano.”

A coleção de Métiers d’Art, normalmente, é apresentada em cidades fora do circuito da moda, em construções de impacto – entre os destinos já visitados pela marca estão Dallas, Salzburgo e Roma. Isso ajuda a repercutir o evento entre uma audiência super acostumada a festas de moda fabulosas. 

Esta foi a maior apresentação de pre-fall da história da grife. Entre os 1400 convidados, haviam algumas presenças estreladas na plateia, como as atrizes Kristen Stweart e Tilda Swinton e a modelo Lily Rose-Depp, fidéle da marca e estrela da campanha do Chanel Nº5. Kaia Gerber, filha da supermodelo Cindy Crawford e promessa do mundo da moda, teve papel de destaque na passarela.

“Com as redes sociais, o impacto dos desfile se maximizou. Hoje eles são mais relevantes do que eram antes”, diz Pavlovsky. “Vivemos em um momento muito transparente, porque qualquer um pode dar seu ponto de vista.”

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