Filarmônica de MG abre turnê internacional na Argentina

A Filarmônica de Minas Gerais fez, na noite de sexta, sua estreia internacional com um concerto no Teatro Colón, de Buenos Aires, dando início a uma turnê que, ao longo desta semana, terá apresentações também em Rosário e Córdoba, além de Montevidéu, no Uruguai. No programa, estavam obras de Carlos Gomes, Dvorak e Tchaikovsky, escolhidas a dedo para mostrar as qualidades de um conjunto que, nascido há apenas quatro anos, tem reivindicado espaço próprio no cenário musical brasileiro - e, agora, latino-americano.

AE, Agência Estado

29 Outubro 2012 | 10h05

O grupo abriu a noite com a "Protofonia" da ópera "O Guarani", de Carlos Gomes, na qual o maestro Fábio Mechetti trabalhou muito bem o aspecto teatral da partitura, do doce cantabile das cordas à imponência dos metais, com atenção especial às dinâmicas. Em seguida, foi a vez do "Concerto para Violoncelo e Orquestra", de Dvorak, com solos de Antonio Meneses. Em peças como essa, é sempre difícil atingir o equilíbrio entre o instrumento solista e a orquestra, mas o que se viu na sexta foi uma perfeita comunhão entre as duas partes, levando a passagens quase camerísticas no segundo e no terceiro movimentos, resultando em uma interpretação repleta de expressividade.

Na segunda parte, a "Sinfonia n.º 4" de Tchaikovsky. Mechetti, que regeu todo o concerto sem partitura, prefere andamentos mais solenes, que se prestam bem a esta sinfonia - e revelaram, mais do que desempenhos individuais muito bons (com destaque para as cordas e as madeiras), equilíbrio e coesão entre os naipes, característica especialmente marcante quando se leva em consideração a pouca idade da orquestra.

A filarmônica foi criada em fevereiro de 2008 como uma Oscip (organização social civil de interesse público) - possui liberdade de ação, mas é mantida, por meio de um contrato de gestão, pelo Estado mineiro, que se responsabiliza por cerca de R$ 18,5 milhões do orçamento total de R$ 20 milhões. A princípio, a filarmônica substituiria a Sinfônica de Minas Gerais, aproveitando parte de seus músicos, mas a nova situação de trabalho - extinção de cargos públicos e assinatura de contratos via CLT - não agradou a boa parte deles. A solução, então, foi criar do zero uma nova orquestra que, com salários competitivos, foi capaz de atrair músicos de todo o País, além de jovens artistas de fora. E, para o comando artístico, foi convidado Mechetti, maestro meticuloso, conhecido pela capacidade de formar orquestras e suas sonoridades. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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