Figueira Rubayat: um verdadeiro espetáculo

O Figueira Rubaiyat é, sem nenhuma dúvida, um fenômeno. Já chegou a servir perto de mil pessoas num só dia e é comum se aguardar até duas horas por uma mesa. Mas tanto movimento implica deslizes do serviço e também da cozinha. A casa foi montada com um capricho ímpar e o projeto valoriza a grande figueira que domina a paisagem. Sua cozinha, ótima e inteligente, comandada pelo chefe argentino Francis Malmann, poderia ser definida como "minimalista e saudável", valorizando as características dos ingredientes básicos, que são mesmo de primeira. Para completar, oferece a mais extensa e melhor carta de vinhos da cidade. Na entrada, um bar com umas 20 mesas e no canto a grande adega climatizada. Depois, um grande salão em L com 84 mesas, teto de vidro, protegido por cortinas de lona e que deixa também ver os galhos da figueira. Sobre uma imponente e grande mesa de madeira são montados os bufês de sobremesas e também o das feijoadas, servidas às quartas e sábados. De boa parte do restaurante pode-se acompanhar os trabalhos dos cozinheiros e ver a reluzente cozinha com seus quatro imponentes fornos de barro, uma pequena grelha com brasas e um grande fogão. O cozinheiro Francis Malmann, de formação francesa, tem muita experiência. Já publicou vários livros sobre culinária, comanva restaurantes em Punta Del Este, no Uruguai, e três na Argentina (Buenos Aires, Mendoza e Bariloche), de onde importou os 14 cozinheiros que o ajudam no Figueira Rubaiyat. Na nova casa, deixa de lado as frituras e destaca os preparados que saem dos poderosos fornos a lenha, que chegam aos 600 graus. Mesmo a bisteca de ternera empanada não é frita em muito óleo, garante. Segundo Malmann, a enorme peça de carne (600 gramas) apenas passa por uma frigideira com um mínimo de azeite para fixar o empanado. Depois, é preparada no forno. O cardápio propõe sete saladas e pratos frios entre R$ 11 (a salada verde Figueira) e R$ 15 (a porção menor) e R$ 18 e R$ 25 a maior; a "carta de música", composta de pão da Sardenha, rúcula, tomate seco, bresaola e figos (R$ 25); dois pratos com arroz (R$ 43, o arroz da praia e R$ 34, o arroz com favas, hortelã e ervilhas); duas massas (R$ 27, o orechiette com verduras "queimadas" e pesto e R$ 32, o nhoque com abóbora e limão siciliano); quatro assados nos fornos de barro entre R$ 29 (frango orgânico toscano com salada do campo) e R$ 45 (caixote de frutos do mar) e quatro pratos variados entre R$ 37 (babybeef com batatas ao forno e chimichurri) e R$ 45 (pato francês laqueado com batatas à Arzac). Feijoada a R$ 49,50 (adultos) e R$ 24,50 (para crianças até 12 anos). Couvert a R$ 12. O couvert já representa uma bela entrada. São seis pequenas porções, que podem mudar diariamente. Deliciosa a combinação de presunto com salsão, azeitonas e anchovas e a de erva doce grelhada com ricota. Também no couvert provado: champignons refogados corretos, pimentão em conserva e um delicioso salmão com uma espécie de pesto. O melhor prato provado foi, sem dúvida e apesar do nome, o caixote de frutos do mar. Um exemplo da cozinha minimalista. Polvo, lula, um filé de linguado, vieiras e camarões dispostos numa vasilha de ferro especial (Le Creuset) com uma película de azeite e assados durante apenas um minuto e meio, segundo o chefe. O prato chega quentíssimo, com o fundo de azeite fazendo barulho. É bom remexer os frutos do mar na vasilha para que não grudem. Espetaculares o polvo (quase se desfazendo), as lulas (no ponto certo, firmes), camarões (também mostrando todo o seu sabor) e ainda o linguado (um pouquinho mole). Um agradável e não muito forte toque de alho valorizou os frutos do mar. Curioso o arroz com frutos do mar, feito e servido em cumbucas de barro importadas do Marrocos. Um arroz amarelado, bem mole, úmido, que só depois de preparado recebe os frutos do mar (camarões, polvo, lulas e vieiras). Um arroz mole e não um risoto. O Figueira Rubaiyat já modificou a maneira de fazer o baby beef. No início, preparava peças inteiras no forno e depois cortava em postas. Agora, está assando porções individuais dessa deliciosa parte do contrafilé diretamente na brasa, como na churrascaria. Para acompanhar, uma salada (rúcula, tomate, cebola) com chimichurri, o tempero típico argentino, com azeite e muitas ervas, meio picante. Todos os pratos muito bem executados, embora a bisteca de ternera pudesse ter chegado à mesa mais sequinha. Ela é empanada com miolo de pão. A parte superior veio seca, mas a base estava gordurosa demais. Uma delícia de carne. Atenção para as sobremesas, especialmente a nêmesis de chocolate e o doce de leite (bastante doce e delicioso). Apesar do esforço, o serviço ainda precisa de entrosamento. Belarmino Iglesias voltou aos seus tempos de maître e está comandando o salão ao lado de seu filho, também Belarmino, ajudado por sua mulher, Ana. A família inteira no batente. A carta de vinhos é mesmo um espétaculo, principalmente pelo preço. São centenas de exemplares, dos quais perto de 300 com os mesmos preços dos cobrados pela importadora, a Mistral. Os demais, com um pequeno sobrepreço. Excelentes o Redoma 1999 (talvez o melhor branco de Portugal, a R$ 64) e o Martinez Bujanda Garnacha Reserva 1993 (maravilhoso, a R$ 82). No dia da visita, de 84 mesas, os ocupantes de 65 delas jantavam com vinhos, segundo Belarmino. Uma beleza. Taças bonitas, apropriadas. Faz falta um sommelier para explicar os vinhos aos clientes. Para terminar, um delicioso café expresso. Figueira Rubayat - Rua Haddock Lobo, 1738 - Jardins. tel: 3063-3888; Cotação: Ótimo

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