'Fido, o Mascote' faz boa análise dos EUA

Diretor canadense imagina uma guerra, após uma epidemia, que desencadeia a praga dos mortos vivos

Luiz Carlos Merten,

07 de setembro de 2013 | 23h06

Num certo sentido, pode-se dizer que Fido - o Mascote, de Andrew Currie, é quase tão importante quanto o foi, em seu tempo, A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero. Em 1968, quando Romero fez seu filme cultuado, os zumbis andavam meio fora de moda no cinema. Ele ressuscitou os mortos e os transformou em metáforas dos problemas que assolavam os EUA numa era de intensa contestação (social, política e Institucional). Veja o trailler   Desde então, os zumbis nunca mais saíram de cena - e o próprio Romero volta e meia retomou seus mortos vivos para continuar dando testemunhos político sobre os EUA. Andrew Currie no fundo, quer fazer a mesma coisa, mas em forma de comédia. No mundo imaginado pelo diretor canadense, houve uma guerra, após uma epidemia que desencadeou a praga dos mortos vivos.  Eles foram derrotados e escravizados, transformando-se em serviçais que os ‘vivos’ (no sentido real e no metafórico) acorrentam como bichos domésticos. Eles passam a executar funções subalternas da vida social, mas como sempre existe o risco de os zumbis se soltarem - e atacarem os humanos para comer sua carne -, cria-se todo um sistema de segurança para mantê-los aprisionados. Na sociedade (im)perfeita de Currie, o zumbi Fido é adotado por uma família cujo mantenedor é obcecado pela idéia da morte, a ponto de negligenciar a mulher, que começa a se sentir atraída pelo morto vivo. A partir daí, instala-se o pandemônio, com mortes e cadáveres devorados que precisam ser escondidos, num verdadeiro pesadelo cômico. A riqueza metafórica do filme de Andrew Currie é indiscutível. O que está em discussão é, não apenas o direito à diferença, como os perigos de uma sociedade supervigiada. Qualquer relação com a atualidade não é mera coincidência. O problema é de realização, ou mais exatamente - de ritmo. Fido diverte, mas é irregular. Deveria ter mais pique.  Fido - O Mascote (Fido, Canadá/2006, 91 min.). Comédia. Dir. Andrew Currie. 12 anos. Cotação: Regular

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