Fictícias memórias do cárcere de Rafinha Bastos

O humorista relembra fatos polêmicos em cadeia cenográfica onde mistura histórias reais e inventadas

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h20

Quem já implicou com alguma piada feita por Rafinha Bastos vai se sentir vingado ao se deparar com o humorista atrás da grades amanhã em A Vida de Rafinha Bastos. No programa que estreia no canal FX às 23 horas. ele estará na prisão, de onde relembrará confusões em que se meteu e revelará que polêmica o tornou prisioneiro na ficção.

"Ficou a impressão de que tenho 70 processos, mas só tenho dois: o da cantora e o dos DVDs", explicou ao Estado. A artista cujo nome ele não cita é Wanessa Camargo, sobre quem Rafinha disse que "comeria ela e o bebê". A menção aos DVDs refere-se a uma piada gravada durante um show de stand-up comedy que não agradou a Apae, e fez com que o humorista parasse de comercializar o disco da apresentação.

"O objetivo da série não é fazer uma retratação pública. Em algum episódio, pode até parecer, mas não é para limpar a minha barra. Não vou deixar de tocar em assuntos que foram importantes, que sinto que precisava discutir de outra forma. Pela dramaturgia, consigo dar outro ponto de vista às questões. Quis passar isso de uma forma bem-humorada", garante o gaúcho de 36 anos.

Por conta de possíveis polêmicas, o contrato com o FX isenta o canal de problemas com a repercussão. "Sou responsável por qualquer questão jurídica. Havia histórias e processos em que eu queria tocar, mas ninguém queria se arriscar. Eu me responsabilizo", admite. Segundo o humorista, os dois processos seguem em andamento e ele ainda não precisou tirar um centavo do bolso. Ele diz não se prender às consequências dos diálogos. "Não me preocupo, talvez devesse. Se eu me preocupar, paro de trabalhar, não valeria mais a pena brincar."

Assim como no único episódio de A Vida de Rafinha Bastos, exibido no ano passado, os novos oito capítulos terão atores na pele de amigos e parentes do humorista, além de convidados que interpretarão a si mesmos, caso do apresentador Nelson Rubens. Os ex-colegas do CQC, programa que ele deixou na Band e onde foi alvo de alfinetadas, não vão aparecer. "Se sou brigado com eles? Vou te falar o seguinte: tudo o que eu quero dizer para alguém que já foi meu amigo, eu falo para a pessoa. Não vou fazer fofoca por meio da imprensa. O que isso vai mudar para mim? Para mim, não muda o jeito que o cara agiu. Eu me dou bem, sou colega, conheço a família. Na hora eu já não fiquei chateado."

Rafinha acredita que a patrulha em cima de suas declarações diminuiu. "A repercussão dessas descontextualizações começou a se voltar contra quem as estava fazendo. O público consegue diferenciar. Não sou nenhuma vítima, faz parte do mercado e do sistema em que me meti", sentencia.

Ele diz querer voltar à TV mais popular, mas sem projeto fechados. "Não estou a fim de elaborar um programa, estou a fim de sentar e conversar. Chegou a hora de eu ouvir um pouco", revela o humorista, que só pensa na estreia da série. "Depois, se você puder escrever alguma coisinha falando bem da série... Pelo amor de Deus, hein!"

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