Fica a dica

Para não ficar só apontando o dedo e pondo defeito, o Caderno 2 faz sua lista de sugestões

O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2011 | 03h05

O organizador do SWU, Eduardo Fischer, cobrou da imprensa uma atitude mais positiva em relação aos acontecimentos. "É fácil alguém brigar, mas é muito mais difícil trazer o Neil Young para falar", disse, reclamando da repercussão que "um minuto de briga" entre técnicos de Ultraje e Peter Gabriel teve. Meio em tom de resposta, sem qualquer sombra de ironia, o Caderno 2 resolveu fazer umas sugestões para melhorar o festival no ano que vem.

1.Com um elenco cada vez mais forte para as palestras em seus fóruns de sustentabilidade durante os dias de show, o festival ironicamente briga com ele mesmo. A mídia não dá o tratamento que os assuntos merecem porque precisa privilegiar os shows. Resultado: sem canais para serem escoados e chegarem ao público que não está presente nas discussões, os assuntos acabam fechados em um gueto dentro do próprio festival. A sugestão é descentralizar os debates, fazendo com que ocorram também fora das temporadas de SWU. Imagine um Bob Geldoff em maio, um Neil Young em julho, tudo sob o selo SWU. Sem esvaziar o evento de suas propostas verdes, já que elas poderiam estar também nos dias de shows, a marca ganharia força e as discussões se tornariam mais bem aproveitadas.

2.Peter Gabriel mostrou um caminho que pode ser viável para amarrar melhor shows e discussões (aliás, duas frentes que parecem não se conversarem). Ele foi o primeiro artista a tirar o fórum do teatro e levá-lo ao palco. Durante seu show, protagonizou a cena mais comovente da temporada ao pedir que as pessoas gritassem às crianças recrutadas pelos guerrilheiros de Uganda para que voltassem para suas casas. Uma história de arrepiar que paralisou uma plateia de 45 mil pessoas, fazendo muitos chorarem. A frase, dita em coro, foi gravada e será transmitida pelas rádios africanas para que os governantes saibam que o mundo está vendo aquilo. Falta a muitos dos artistas atitudes como a de Peter Gabriel, para além da discurseira chata e repetitiva.

3.O camping do SWU tem sido um dos pontos fracos da jornada. Revitaliza a velha máxima de Gil, "quem nunca dormiu num sleeping bag nem sequer sonhou", mas este ano colocou os acampantes a um quilômetro de distância dos palcos, em local ermo e que não recebeu um tratamento adequado. Apesar de ter dobrado o tempo nos banhos (de 7 para 14 minutos) e ter abolido as filas, falta muito ainda. Uma dica boa: alguém do festival poderia fazer o percurso alguns dias antes, passar com sua mochila pela revista, caminhar até a montagem da barraca, dormir ali e depois ter de passar por duas revistas de novo para chegar até o seu show. Teria muito a aconselhar à organização.

4. O festival tem parceiros da TV e da mídia que monopolizam as entrevistas e o acesso aos backstages. Isso é de praxe, funciona assim em qualquer megaevento de entretenimento. Mas seria interessante que o festival promovesse, durante sua realização, encontros entre pessoas da imprensa e artistas que estivessem dispostos a falar e a comentar aspectos de seu trabalho e de sua visão de mundo. Ficam muito apartados os dois universos.

5. O local onde fica o SWU, de mais de um milhão de m², permite circulação livre de pessoas e não é crowdeado. Ótimo. Mas o acesso é penoso, as pessoas andam ao menos um quilômetro até os portões. Uns veículos para ajudar no deslocamento de pessoas mais frágeis, ou bêbadas ou que se machucaram levemente durante o festival, no final de tudo, seria bem simpático e muito bem recebido.

6. Seria interessante que o festival atentasse para os serviços no último dia. Ao final, os paramédicos, os atendentes de bares e de lanchonetes ficam meio desmobilizados e a própria segurança fica meio relaxada, tendendo a torcer para que tudo acabe logo. Isso pode resultar em coisa desagradável. Atenção.

7. Finalmente, por que não? Distribuir capas de chuva em momentos em que a água cai mais torrencialmente pode ajudar alguns desprevenidos.

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