FHC recebe Gisele e setor têxtil no Planalto

Depois de ser visitado pela atriz Vera Fischer na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu hoje a modelo Gisele Bündchen, que veio a Brasília com empresários da moda e do setortêxtil, "para mostrar ao presidente a importância do Brasil no mundo da moda", segundo disse a modelo. Liderado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, o grupo apresentou ao presidente os resultados e as metas do setor, que foram definidas no Fórum de Competitividade da Indústria Têxtil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.O grupo, formado por Gisele, Skaf, pelo produtor do Morumbi Fashion, Paulo Borges, pela empresária Constanza Pascolato e pelo estilista Fause Haten concedeu uma entrevista coletiva depois do encontro com o presidente para falar das metas do setor, mas as atenções foram concentradas na modelo. Os jornalistas tentaram envolver Gisele no debate político e perguntaram a ela o que ela faria com uma salário mínimo de US$ 100."Isso são R$ 180, não é", perguntou a modelo. "Acho que eu ia comprar comida que é o mais importante", disse. "Deveria ser maior, mas eu não sou presidente da República", disse ao responder pergunta sobre sua opinião a respeito do valor do salário mínimo no Brasil.Não foi somente na coletiva que a modelo roubou a cena. Na confusão criada durante a foto de Gisele com o presidente, Fernando Henrique sugeriu aos fotógrafos, em tom de brincadeira, que todos saíssem da sala. "Tenho uma solução, saiam todos os homens", brincou.Metas - Segundo Skaf, o setor pretende atingir as exportações de têxteis e confecções para US$ 4,3 bilhões anuais até 2005 e, com isso, obter 1% do comércio mundial desse setor. De janeiro a outubro, as exportações foram de cerca de US$ 1 bilhão, 24% acima das vendas efetuadas em 1999, que somaram US$ 812 milhões. Skaf disse ao presidente que a cadeia têxtil, que inclui desde produção têxtil até a indústria da moda e emprega 1,4 milhão de trabalhadores, criou 43.932 novos empregos desde o início do ano e espera criar mais 50.000 novos postos até o fim do ano.O empresário elogiou as medidas anunciadas pelo governo na semana passada, para incentivar as exportações, principalmente a que isenta do pagamento de Imposto de Renda as remessas de recursos para o exterior para fazer promoção comercial. "Onde já se viu cobrar 15% de Imposto de Renda quando temos de promover o Brasil no exterior", disse. Ele afirmou que o grupo não pediu nada ao presidente, mas comentou com Fernando Henrique sobre as dificuldades de exportar para os Estados Unidos, que estabelecem cotas para os produtos brasileiros. "O governo tem que negociar essas cotas com os Estados Unidos", disse.Segundo Borges, países como França, Itália, Inglaterra e Estados Unidos, cujas capitais, além de Milão, são os centros mundiais da moda, já estão considerando São Paulo como a nova capital da moda e o líder da América Latina nesse setor. Segundo ele, a conquista do mercado é resultado de um calendário de eventos que envolve mais de 40 feiras e 20 desfiles na capital paulista.Para Constanza, que também visitou o presidente, o resultado do setor foi conseguido porque houve coordenação de todas as etapas da cadeia produtiva. "Todos, empresários, produtores, estilistas, olhamos na mesma direção durante apenas cinco anos", disse a empresária. "Isso significa que podemos conseguir muito mais".

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