Festival resgata yerma

Uma montagem de Yerma, de Villa-Lobos, abre hoje a 13.ª edição do Festival Amazonas de Ópera. A obra é baseada em peça do espanhol García Lorca e, além da estreia em Santa Fé, nos EUA, nos anos 70, foi apresentada no Brasil apenas uma vez, em 1983, em versão semiencenada.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

No ano passado, trechos da ópera foram ouvidos em Campinas, Berlim e Paris, por conta dos 50 anos da morte de Villa-Lobos. A montagem manauara, no entanto, apresenta a partitura na íntegra. O maestro Luiz Fernando Malheiro assina a direção musical e regência e a encenação está a cargo do diretor espanhol Allex Aguilera. No papel-título, a soprano brasileira radicada na Áustria Eliane Coelho.

Yerma foi escrita por Villa-Lobos pouco antes de morrer, no fim da década de 50. Encomendada pelo teatro do Sarah Lawrence College em 1955, demorou três anos até ficar pronta - Villa-Lobos não gostou do libreto em inglês e resolveu, a certa altura, trabalhar a partir do original em espanhol da peça. Nela, García Lorca fala de uma mulher obcecada pela maternidade, às voltas com a traição do marido, e o preconceito da sociedade de sua época. Ainda integram o elenco o tenor Marcello Puente, a meio-soprano Isabelle Sabrié e o barítono Homero Velho.

Além de Yerma e de uma série de recitais e óperas em versão pocket, o Festival Amazonas deste ano apresenta também a montagem assinada por Márcio Páscoa de Guerras de Alecrim e Mangerona, de Antônio Teixeira, com libreto de Antônio José da Silva, o Judeu; novas produções de Romeu e Julieta, de Gounod, assinada por William Pereira, e de Lo Schiavo, de Carlos Gomes, por Jaime Martorell; e concertos com a Missa de Santa Cecília, do padre José Maurício, e A Floresta do Amazonas, de Villa. O encerramento será no dia 30 de maio, com a ópera de Carlos Gomes apresentada em praça pública.

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