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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Festival mira o risco no palco

Se há um lugar em que não há paz é o palco

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 02h00

Se há um lugar em que não há paz é o palco. Arte milenar, teatro, performance, dança e seus filhotes nas artes cênicas trazem consigo a inquietação a cada montagem: superar-se e também os outros. Não é bolinho. Angústia invisível e transtornos individuais habitam cabeças e corpos de artistas. É isso que está na mira da multiartista Natalia Mallo quando, há meses, criou o Risco Festival. Estreia hoje, finalmente, e segue por dez dias na cidade com atrações de tirar o vivente do assento.

São peças, instalações, performances e espetáculos de dança. Como a montagem francesa de Tribunal dos Animais, dirigida por Catherine Bay, que traz a reboque uma ideia muito simples. Levar ao tribunal e dar voz a quem não tem vez. Sim, claro, os bichos, como os meigos e fofos símios, zebras, coelhos e por aí vamos. Nós, bichos. 

Destaque para a performance imersiva, ao vivo, que reúne a soprano Katia Guedes e a dupla Mirella Brandi x Muep Etmo, no sábado e domingo, na SP Escola de Teatro. A obra foi feira em coprodução entre os artistas e o Iniciative Neue Berlin 2017 e apresentada em janeiro deste ano na Alemanha. 

 

RISCO PARA TODOS 

Talvez um dos maiores méritos do Risco Festival seja o de ser descentralizado, espalhado pela cidade em dez espaços diferentes, do Itaú Cultural ao Vale do Anhangabaú, passando pelo Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e passando pelo MIS e o Centro de Referência de Dança, no centro de São Paulo. 

  

AMOR PELO LIMITE  

“A palavra risco me interessa como artista, pois quando arriscamos quebramos padrões”, diz Natalia Mallo, cuja meta é fincar o Risco Festival na programação anual da cidade. “O risco serve para confrontar aquilo que está posto, a vida em sociedade, e para que chame à reflexão e possa criar novos mundos, novas possibilidades.” Uma beleza, não é para qualquer um. 

  

FAZENDO A CACHOLA 

Pelo menos dois espetáculos em cartaz – Carmen, musical sobre Carmen Miranda, no CCBB, e Panorama Visto da Ponte, no Teatro Raul Cortez – primam pela reação, ao final da sessão, de seus protagonistas. Amanda Acosta, em Carmen, e Rodrigo Lombardi e Sergio Mamberti, em Panorama, levam uma conversa sincera com o público sobre os meios de financiamento das artes, principalmente sobre Lei Rouanet – que desde a campanha eleitoral tem estado na mira do novo governo que assume o País em 2019, que ameaça extinguí-la. Os três assumem a responsabilidade de explicar o mecanismo de financiamento da lei, a sua importância para a produção cultural do País e para o público que consome arte. Surpreendem pela forma direta e honesta de desfazer mentiras plantadas por políticos durante a campanha. A verdade é simples: o público é quem mais se beneficia com a Lei Rouanet.

3 Perguntas para...

Eva Wilma

1. O que é ser atriz?

O exercício do ator ao vivo e de corpo inteiro (o teatro) é a escola do ator. É onde evoluímos. É emoção, é técnica. 

2. Frase arrebatadora?

Em cerca de 40 peças de que participei poderia citar trechos de cada uma delas. Espero que o mais arrebatador seja o próximo.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Só de mentirinha e de maneira bem poética, como em A Dama das Camélias.

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