Festival leva música instrumental às igrejas do País

A missa é outra. Os fiéis também. E os líderes religiosos nem sempre vestem batina. Seus instrumentos ressoam por arquiteturas erguidas há 200, 300 anos, numa época em que bíblias e partituras pareciam se completar. Talvez por isso, a inspiração de Lu Araújo, uma produtora paulistana que coloca músicos para se apresentar em igrejas desde 2004, tenha dado bons frutos.

AE, Agência Estado

30 de agosto de 2012 | 11h22

A investida de 2012 começa nesta quinta-feira, com a abertura da Mimo, o festival de música instrumental realizado em Olinda, no Recife e em João Pessoa e, pela primeira vez, em Ouro Preto. A própria Lu escolhe os artistas que quer em seu line up. Se perguntarem a ela os concertos que não perderá, a resposta pode ser longa. Chucho Valdés com Egberto Gismonti, dia 8 de setembro, na Igreja da Sé, em Olinda: "Não perco por nada. Eles vão adiantar o encontro que farão no Carnegie Hall, em outubro". Duo Assad, 7 de setembro, às 20h30, na Basílica da Sé, também em Olinda. "Batalho para trazê-los há sete anos." E a pianista brasileira radicada em Paris Sonia Rubinsky, que vem para o concerto de abertura nesta quinta, às 20 h, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. "Ela é muito dedicada à valorização da obra de Villa-Lobos e pode ser comparada a Nelson Freire."

Ao pensar em materializar seu projeto usando catedrais de centros históricos para as apresentações, Lu acertava dois alvos ao mesmo tempo. A acústica das igrejas, historicamente pensada para fazer ressoar órgãos e corais, estava pronta para receber as atrações que estivessem dentro da proposta instrumental pensada pelo produtora. E a ausência do Estado no suporte ao aparato público, historicamente não pensado pelas autoridades por falta de verba ou de vontade, levava um drible de craque. Se não fossem as 22 igrejas de Olinda, por exemplo, a cidade jamais respiraria tanta música. Um de seus únicos teatros encontra-se, neste momento, em obras.

A relação do público com os espaços, na opinião de Lu, também é outra durante o festival. "As pessoas visitam as igrejas uma vez só. Mas os concertos fazem com que elas retornem." Outros destaques da programação são o percussionista Cyro Baptista, em Olinda; Arnaldo Baptista, no Recife; Maria João e Mario Lajinha, em Olinda; Richard Bona com o guitarrista Sylvian Luc, em Olinda, João Pessoa e Ouro Preto. A programação completa do festival está no site www.mimo.art.br. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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