Festival explora relação entre dança e tecnologia

Amanhã, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB) dá início ao 5.º Dança Brasil. O evento promete ser um festival high tech e contará com a apresentação de sete espetáculos, exibição de vídeos, palestras e workshops. Até o dia 27, quem passar pelo teatro poderá observar o tema deste ano: a relação entre a dança e a tecnologia."A proposta do Dança Brasil é mapear a produção contemporânea e mostrar a conexão que existe entre ela e outras expressões artísticas, como as artes plásticas, literatura e o teatro. Neste ano, estarão presentes criadores que atuam com computadores e vídeos", explica Leonel Brum, diretor artístico do festival.De acordo com ele, todas as peças selecionadas só podem ser apresentadas com ajuda da tecnologia. "As coreografias só podem ser realizadas com aparatos tecnológicos e eletrônicos, ou seja, a tecnologia faz parte do trabalho, não é apenas um acessório que pode ou não entrar", diz.O critério escolhido quanto à definição do tema do festival foi a análise das produções no País. "Notei que existe essa tendência nas coreografias realizadas atualmente, um fato que justifica fazer um recorte e dar espaço para essas pessoas, que ficam em cartaz em uma minitemporada, de quinta a domingo."O Dança Brasil, além de abrir o calendário de dança no Rio de Janeiro, é uma forma de divulgação de companhias e artistas. O CCBB realiza ainda um trabalho de co-produção com os coreógrafos. "Fazemos uma seleção entre os grupos e há uma ajuda financeira para auxiliar na produção do espetáculo." Nesta edição, os eleitos foram Dani Lima, Paulo Mantuano e Ivani Santana.Na abertura do festival serão exibidas Hoje, amanhã de ontem, da Cia. Paulo Mantuano, e Digital Brazuca, da Cia. Dani Lima. A primeira peça aborda a consciência do tempo, utilizando recursos de vídeo e do sistema surround de som. Um vídeo dá idéia de alucinação e sonho, uma máquina fotográfica registra momentos da coreografia. Rafa Rocha mostra a trilha ao vivo, com os sons produzidos pelo próprio bailarino.Digital Brazuca, apesar da aparente contradição de seu título, trata da identidade nacional. A peça é dividida em dois momentos. Primeiro, é discutida essa questão, intercalando a movimentação dos bailarinos com depoimentos exibidos em vídeo. Segundo, brinca com a idéia de tecnologia falha, via improvisos.De 10 a 13, a Cia. Nova Dança 4 fará a estréia nacional de Tempo Real. "Essa peça foi exibida em Portugal no Encontros Acarte (evento promovido pela Fundação Gulbenkian em Lisboa) e será a primeira participação do grupo no festival." Um resultado da parceria com os portugueses do Houseweare Expérience. Imagens pré-gravadas de estúdio e paisagens de Lisboa se misturam às improvisações.De 17 a 20, Evelin Moreira exibe Sonar e Roberta Marques e Ronald Burchi When Gene Kelly Smiles. Para encerrar, de 24 a 27, Ivani Santana faz a estréia de OP ERA e Corpo Aberto. "Roberta veio da Holanda e está mostrando o que os brasileiros produzem no exterior". Ivani discute os novos corpos surgidos com a tecnocultura.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.