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Festival do Rio começa nesta quinta-feira, 27, com música e emoção

'Gonzaga - De Pai para Filho' abre o evento que vai exibir um total de 400 filmes de 60 países

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

26 de setembro de 2012 | 03h41

Há uma cena de Gonzaga em que o rei do baião, interpretado por Adélio Lima, retruca para o filho, com quem briga: "Você não tem o direito de me humilhar assim". Luiz Gonzaga Jr., que nesse momento está estourando (na arte), com direito a capa de Veja - Explode, Gonzaguinha -, entre outras coisas acusa o pai de haver virado palhaço dos militares. Explodem acusações e ressentimentos.

Algo vai se passar amanhã à noite na tela do Cine Odeon, no coração da Cinelândia, em pleno centro do Rio. A autoproclamada capital audiovisual da América Latina estará iniciando seu festival de cinema. Até o dia 11, quando serão anunciados os vencedores da mostra competitiva Première Brasil, o Rio sedia o evento que, mais uma vez, deverá primar pelo gigantismo. Serão 400 filmes de 60 países, distribuídos em 20 mostras, em 25 locais de exibição. Programas para todas as tribos e gostos. Muitos convidados nacionais e internacionais.

Tudo isso começa a rolar na sexta-feira para o público. A sessão de abertura é para convidados, que vão assistir a Gonzaga - De Pai para Filho, o novo Breno Silveira. Talvez seja injusto com o diretor de 2 Filhos de Francisco, que virou, anos atrás, com mais de 5 milhões de espectadores, o fenômeno que todo mundo sabe. O ano não está sendo bom para o cinema brasileiro. Apenas um filme - E Aí, Comeu?, com Bruno Mazzeo -, superou a marca de 2 milhões de espectadores. O próprio Silveira, com seu filme com músicas de Roberto Carlos (À Beira do Caminho), ainda não fechou 200 mil espectadores.

Havia a expectativa de que as canções do Rei fossem um atrativo tão forte que o público lotaria as salas. Apesar do boca a boca, o denso À Beira do Caminho é rotulado de filme triste, portanto, difícil, num mercado que gosta de rir e que, se é para chorar, prefere as maldades de Carminha na novela Avenida Brasil, à espera da punição exemplar que lhe aplicará o autor João Emmanuel Carneiro. Gonzaga é outra coisa. Um grande filme popular, centrado na relação complicada entre dois gigantes da música brasileira - o sanfoneiro Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha.

Silveira aposta de novo na equação 'música + emoção', que tanto o atrai. O filme possui qualidades extraordinárias - elas passam pelo elenco que inclui os três intérpretes de Lua, mais Júlio Andrade, impressionante como Gonzaguinha. Possui também, e vamos ver até que ponto ela será uma força, a máquina da Globo, que vai transformar a promoção do filme numa peça-chave da comemoração do centenário de nascimento de Gonzagão, em 12 de dezembro. Gonzaga estreia em 26 de outubro. Silveira diz que nunca fez nada tão grande em sua carreira e, mesmo assim, ressalta. "Nem três filmes dariam conta do gigante que é Gonzagão. Ele é um mito que não para de crescer, uma das raízes da cultura, não só da música brasileira." Gonzaga carregava o sertão dentro dele, deu voz ao povo brasileiro - como seu filho foi uma voz de resistência contra a ditadura militar.

O diretor ainda faz ajustes na cópia. A que abrirá o festival não é a definitiva. Silveira não está 100% satisfeito com a luz, o som. Mas será uma bela sessão - após os discursos de abertura, em que a diretora artística Ilda Santiago e a diretora do Rio Market, Walkíria Barbosa, farão sua dobradinha no palco, dando cara ao festival. Ambas vão ressaltar o que tem sido a tônica do evento, nestes anos todos (é a sexta edição). O Festival do Rio contempla arte e negócios. É uma plataforma para todos os tipos de distribuição e lançamentos. Só alienados negam a evidência de que o mercado não é formado apenas por blockbusters. Existem nichos, inclusive para o mais miúra dos filmes de arte. A maratona do Festival do Rio vai mostrar os vencedores de Berlim (Cesare Deve Morire, dos irmãos Taviani) e Veneza (Pietà, de Kim Ki-duk). Embora sejam programas muito aguardados, são uma pequeníssima fração na enxurrada de títulos.

Première Brasil - aberta por Entre Vales, de Philippe Barcinski -, Première Latina, Perspectivas do Cinema Mundial, Midnight Movies, Mundo Gay serão apenas algumas das mostras. O festival terá seções dedicadas ao cinema inglês e ao português, com a pré-estreia da obra-prima Tabu, de Miguel Gomes (mas ele virá somente para a Mostra de São Paulo). Haverá uma retrospectiva dedicada ao príncipe do terror, John Carpenter. Jeremy Irons lidera a lista de convidados internacionais.

FESTIVAL DO RIO 2012

Abertura amanhã, 20 h, no Cine Odeon, com Gonzaga – De Pai para Filho.

De 27/9 a 11/10. www.festivaldorio.com.br

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