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Festival do Rio anuncia vencedores nesta quinta-feira, 11

As sessões da Première Brasil deste ano foram as melhores dos últimos tempos

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo ,

10 Outubro 2012 | 16h32

RIO - Diretora artística do Festival do Rio, Ilda Santiago tem passado por todos os estados de espírito - expectativa, euforia, apreensão e decepção (pelos problemas técnicos que têm prejudicado tantas sessões) e agora uma espécie de luto antecipado. Ela se regozija - conseguiram, e aí é o colegiado da Cima, que realiza o evento, fazer um grande festival. Mas ele está acabando - a correria, o estresse e um vazio começa a se instalar. “Todo ano é assim, mas a gente em seguida recomeça a trabalhar, avaliando e pensando no ano que vem”, ela confessa num breve encontro na sede, na Usina da Esperança, região portuária do Rio.

Ilda e Walkiria Barbosa - as garotas-propaganda do evento - vão de novo vestir seus longos e subir ao palco do Cine Odeon para o encerramento da edição de 2012. Nesta quarta, 10, ocorre a última gala, no mesmo local - a de Hemingway e Gellhorn, que trouxe Philip Kaufman ao Brasil, onde ele se encontrou com Rodrigo Santoro, que faz um dos papéis principais. Em maio, Kaufman já havia apresentado seu longa feito para TV (HBO) em Cannes e o maior evento de cinema do mundo lhe concedeu a honraria que só confere aos maiores. Kaufman, o homem que criou Indiana Jones e dirigiu A Insustentável Leveza do Ser e Os Eleitos, deu a lição de cinema.

Temos tido muitas lições de cinema, aqui, no Rio. Basta ver os filmes, um punhado que seja, entre os mais de 400 que integraram a programação. Ilda e Walkiria, Andrea Cals, que faz a seleção e apresenta as sessões da Première Brasil, Wilma Lustosa e Marcos Didonet, que organiza os Cine-Encontros (após a projeção dos filmes brasileiros), podem comemorar - a Première deste ano foi a melhor dos últimos tempos e talvez tenha sido a melhor da história. Um ou outro filme pode ter decepcionado, mas o ganho foi grande e a diversidade deu o tom da seleção. Não existe um cinema brasileiro, existem vários e o festival, inaugurado com Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira, exibiu na Première dramas como A Busca, de Luciano Moura, comédias como O Gorila, de José Eduardo Belmonte, animações como Uma História de Amor e Fúria, de Luis Bolognesi, e documentários como O Dia Que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares.

Filmes de uma dramaturgia mais tradicional, mas não convencional. Outros mais ligados à experimentação, como Éden, de Bruno Safadi, e o admirável O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho. Quem vai ganhar nesta quinta-feira, 11, o Redentor de melhor filme, melhor diretor, ator e atriz? Existem candidaturas que parecem incontornáveis, como as de Wagner Moura (A Busca) e Leandra Leal (Éden), mas como dizer que Irandhir Santos (O Som ao Redor) e Alessandra Negrini (O Gorila) não seriam vencedores irretocáveis? Por que não Octávio Müller (O Gorila)? E os coadjuvantes - Lima Duarte (A Busca), José de Abreu (Meu Pé de Laranja Lima), Júlio Andrade (Éden)? João Miguel é protagonista ou coadjuvante em Éden?

Existem muitos premiáveis. A Busca, o drama humano que não tem cara de blockbuster (nem aposta no espetacular), leva o Redentor de melhor filme? O Som ao Redor? E se o júri apostasse na comédia terceira via de Belmonte? Ou no azarão Dores de Amores, de Raphael Vieira, que virou xodó do público e da crítica? O Dia Que Durou 21 Anos é ótimo, mas e a delicadeza de Margaret Mee e a Flor da Lua, de Malu De Martino? O suspense termina hoje à noite. Acreditem - nunca houve tantos ‘redentoráveis’.

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