Festival de Toronto se volta a relatos pessoais

Na reta final, evento aos poucos deixa o perfil político que marcou seu início

Julio César Rivas, da Efe,

07 de setembro de 2014 | 12h15

Em sua reta final, a edição de 2007 do Festival Internacional de Cinema de Toronto vai aos poucos deixando o perfil mais político que marcou seu início, e se voltando para relatos mais pessoais, com apontam as estréias de Reservation Road e The Walker. Apesar disso, a mostra canadense não abandonou totalmente o espírito engajado que marcou seu começo, no dia 6 de setembro, carregado de referências diretas ao Iraque, à guerra contra o terrorismo e às violações dos direitos humanos no mundo. É o caso de filmes como Heavy Metal in Baghdad, Battle for Haditha, In the Valley of Elah, Redacted e Rendition. Outros diretores apresentaram filmes que fazem uma clara crítica política à situação atual da sociedade americana, como Sean Penn, que chega ao Canadá com seu Into the Wild. Embora Reservation Road - dirigido pelo irlandês Terry George (Hotel Ruanda, 2004) e estrelado por Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jennifer Connelly e Mira Sorvino - se refira exclusivamente a uma tragédia familiar, o filme mantém o tom sombrio que domina as películas de Hollywood atualmente. O filme parte do atropelamento de uma criança por um veículo cujo motorista decide abandonar a cena do acidente e fugir. O acidente, provocado pelo advogado Dwight Amo (Ruffalo), marca as vidas de Ethan e Grace Learner (Phoenix e Connelly), os pais da criança morta. Ethan inicia uma busca quase destrutiva pelo assassino de seu filho, diante da incapacidade da Polícia de encontrar o culpado, enquanto Dwight luta para entregar-se às autoridades. O resultado é um filme duro e inquietante, sustentado pelas sólidas atuações dos quatro atores principais. Na quarta-feira, 12, durante uma entrevista coletiva em Toronto, Connelly revelou que não pôde deixar de pensar constantemente em seus próprios filhos. "Tento não trazer minha casa para meu trabalho, mas tive pesadelos terríveis. Realmente me afetou", confessou. E embora o filme não trate de forma evidente da profunda crise de identidade que parece afetar a sociedade dos EUA, George, Ruffalo e Sorvino não puderam deixar de situar o filme neste atual panorama. "É o espírito do momento. Há um  ambiente mais sombrio nos Estados Unidos", disse o diretor. "Os dois homens se sentem impotentes no meio do caos, e acho que este filme explora isso. Caso exista um sentimento da década, é a passividade de parte dos cidadãos em fazer algo quanto ao que acontece em seu mundo", afirmou Sorvino. Ruffalo disse que o filme faz parte do "subconsciente da cultura" que aflorou após a realidade da Guerra do Iraque. "Nunca quisemos perguntar o suficiente antes de invadir o Iraque. Sabemos que é errado atacar toda uma cultura sem saber nada sobre ela. Mas até hoje não sabemos nada sobre os muçulmanos e quais são suas queixas", afirmou o ator. The Walker, a segunda estréia do dia, é o último filme do americano Paul Schrader, o roteirista de Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980) e diretor de Gigolô Americano (1980) e Affliction (1997). Estrelado por Woody Harrelson, Kristin Scott Thomas, Lauren Bacall e Lily Tomlin, The Walker conta os problemas de Harrelson, um acompanhante profissional que substitui os maridos de mulheres de alta sociedade em encontros sociais, depois de se ver envolvido em um assassinato. Como em Reservation Road, Schrader coloca os personagens de seu filme em circunstâncias que fogem de seu controle, obrigando-os a tomar decisões desesperadas.

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