Festival de Tiradentes abre com 'O Gerente', de Saraceni

Vá alguém confiar na internet. Em busca de informações sobre "O Gerente", longa de Paulo Cézar Saraceni que abriu a 14ª Mostra de Tiradentes, na sexta-feira à noite, o repórter encontrou a indicação de que era não apenas baseado num romance do irmão (Sérgio Saraceni) do diretor, mas também que se tratava de uma história "de nossa família", aspas atribuídas ao próprio cineasta. Nada disso. "O Gerente" foi o primeiro roteiro escrito por Saraceni e se baseia num conto de Carlos Drummond de Andrade.

AE, Agência Estado

24 de janeiro de 2011 | 09h37

A cerimônia de abertura constou de duas homenagens - a Saraceni e ao ator Irandhyr Santos, "ao que está chegando e ao que está indo embora", como sintetizou, de forma um tanto rude, o também diretor Cláudio Assis - e de um desfile do estilista mineiro Ronaldo Fraga, que desconstruiu o uniforme de frentista numa homenagem a Petrobras, grande patrocinadora da Mostra, que está atingindo a marca de 500 filmes. Foram 26 modelos em que o macacão ganhou referências cinematográficas.

Havia grande expectativa pela presença da ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Foi sua primeira aparição num grande evento de cinema - de cultura em geral - e ela decepcionou. Disse meia dúzia de banalidades, errou nos números ao citar a frequência de público no ano passado - atribuiu ao cinema brasileiro 10 milhões de espectadores, quando só "Tropa de Elite 2", de José Padilha, fez mais do que isso - e jogou para a secretária do Audiovisual, Ana Paula Santana, a discussão sobre o futuro da Ancine. A secretária participa hoje de um encontro com a classe em Tiradentes.

O sábado foi marcado pelo documentário "Cortina de Fumaça", de Rodrigo MacNiven, em que até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso advoga pela descriminalização das drogas. MacNiven fez um trabalho sério de pesquisa, ouvindo especialistas que desmontam falácias sobre a maconha. Seu filme recorre a gráficos e a uma montagem acelerada. Lembra os documentários de Errol Morris, com um pé no espetáculo, e, de certa forma, desdiz a intenção do cineasta. MacNiven afirma que "Cortina de Fumaça" é sua contribuição ao debate sobre um tema visceral - a recente ocupação das favelas do Rio está ligada ao tema. O filme vai dar o que falar. Não por acaso, o público aplaudiu de pé o diretor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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