Festival de Teatro de Curitiba começa nesta quarta

Evento oferece 1.067 apresentações de 301 espetáculos vindos de 18 Estados e até de países vizinhos

Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2008 | 15h39

Começa nesta quarta-feira, 19, a 17ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, sem dúvida a mostra nacional de maior visibilidade. Os números, que aumentam a cada edição, impressionam. Até o dia 30 de março estão previstas 1.067 apresentações de 301 espetáculos, vindos de 18 Estados e até de países vizinhos, divididos entre mostras oficial e paralela, o Fringe, distribuídos por 63 espaços cênicos, além de 29 locais de apresentação ao ar livre. Difícil é fazer escolhas acertadas - entenda-se de acordo com o interesse do espectador - em meio à diversidade dessa maratona teatral.   "Mais informações sobre os espetáculos é um dos pedidos do público que tentamos atender", diz Leandro Knopfholz, que este ano volta à direção do evento, substituindo Victor Aronis. Um dos recursos para ampliar informações foi abrir espaço para "cotações" no site. "Vamos criar também um blog, que pode ser acessado pelo site, na qual os espectadores podem escrever sobre o que viram."   O problema não é tanto a diversidade, sempre bem-vinda, mas a possibilidade de se deparar com a precariedade. O risco é quase inexistente na mostra oficial, cujas 22 produções foram recomendadas à organização pela curadoria - o produtor Celso Cury (SP), Lúcia Camargo (PR) e a professora Tânia Brandão (RJ). Há desde a participação de atores de longa trajetória e nacionalmente conhecidos, como Nicette Bruno e Paulo Goulart, em O Homem Inesperado - dupla que tem relação especial com a cidade onde ambos moraram, e atuaram por um ano, em 1962, até estréias que prometem como A Ordem do Mundo (RJ), dirigida por Aderbal Freire-Filho ou Deserto (PR) de Márcio Abreu. Duas boas produções de São Paulo, que têm em comum serem adaptações de livros, participam da mostra oficial: Salmo 91, adaptação de Dib Carneiro Neto para o livro Estação Carandiru, de Drauzio Varela, dirigida por Gabriel Villela e O Natimorto, que tem texto adaptado e direção de Mário Bortolotto, a partir do livro de Lourenço Mutarelli. O grupo Armazém com Mãe Coragem e Seus Filhos e a Cia. Os Satyros com Vestido de Noiva também estão entre os grupos convidados. Se não há margem para grandes surpresas, também não há para estrondosos equívocos na mostra oficial.   O mesmo não se pode dizer do Fringe, cuja idéia é mesmo ser uma vitrine, sem qualquer seleção prévia. Para quem não quer se surpreender e prefere apostas certas, Ay Carmela, peça do espanhol José Sanchis Sinisterra, dirigida por Marco Antônio Braz, está entre as opções. Na linha experimental há Dias Felizes, interessante concepção musical dessa peça de Beckett da mineira Rita Clemente, que ousa não seguir a indicação de cenografia, mas consegue ainda assim manter a idéia de limitação no cotidiano da personagem. Em vez de enterrada até a cintura, ela tem um vestido justo, longa cauda, que dificulta seus movimentos. Vale ver ainda o solo que vem do Recife, Negro de Estimação, de Kleber Monteiro, um ator-dançarino, cuja expressão corporal se torna tão expressiva quanto as palavras nesse espetáculo baseado no livro Contos Negreiros, de Marcelino Freire. Há outras produções já aprovadas em suas cidades de origem. E sempre existe a possibilidade de "revelações" no Fringe, como já ocorreu em edições anteriores.

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