Festival de teatro agita São José do Rio Preto

Primeiro foi a Alemanha. Agora é a vez da cidade de São José do Rio Preto (SP) fazer uma réplica do Teatro Oficina para abrigar as apresentações de Os Sertões, adaptação cênica do livro homônimo de Euclides da Cunha dirigida por José Celso Martinez Correa. Ao custo de R$ 30 mil, a organização do Festival Internacional de Teatro reformou um galpão da antiga fábrica de salsichas Swift para reproduzir a insólita arquitetura do Oficina, com suas arquibancadas, o jardim e até mesmo a janela que deixa entrar a luz natural. A Luta, o quarto e último espetáculo que narra a saga dos seguidores de Antônio Conselheiro, vai fazer sua estréia nacional no evento. O público valorizou o esforço. O festival começa hoje e os ingressos para Os Sertões foram os primeiros a esgotar. Ao todo, 80 espetáculos passarão pela cidade até o encerramento no dia 25, num total de 130 apresentações. Com orçamento mais apertado, R$ 1,1 milhão - R$ 500 mil vindos do Sesc; R$ 100 mil da Secretaria de Estado da Cultura; R$ 300 mil da Petrobrás; Nossa Caixa, R$ 70 mil, e Secretaria Municipal de Cultura R$ 100 mil - o festival este ano está menos internacional. No primeiro fim de semana, as expectativas giram em torno de duas leituras contemporâneas de obras de Shakespeare: o japonês Hamlet Clone, que depois de integrar o evento fará uma única apresentação no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, na quarta-feira, e o colombiano A Mosca. Este último, adaptação de Tito Andrônico, com o grupo Petra, dirigido por Fabio Rubiano, agradou ao público e à crítica ao integrar a programação do Festival Internacional de Londrina, em junho. A apresentação ao ar livre, hoje à noite, de Nas Rodas do Coração, um divertido melodrama circense, assinado por Regina Galdino e dirigido por Ednaldo Freire, abre a programação. Curiosamente, as intérpretes desse espetáculo, as quatro atrizes da trupe paulistana As Graças, talvez sejam as únicas artistas especialmente convidadas do festival a chegar à cidade de ônibus. Afinal, elas fizeram de um deles o seu palco e sobre ele apresentam Nas Rodas do Coração. Sem dúvida uma boa escolha para propiciar uma abertura festiva e bem-humorada ao evento. Também esgotaram com antecedência os ingressos de três outras três boas criações de grupos paulistanos: Agreste, a história de amor de um casal que termina em tragédia, com a Cia. das Razões Inversas; Pequeno Sonho em Vermelho, espetáculo circense criado a partir de flagrantes do cotidiano, da trupe Linhas Aéreas, e As Bastianas, baseado em contos de Gero Camilo, criação da Cia. São Jorge de Variedades. Esta última, em São Paulo, fez duas temporadas, ambas em albergues destinados a abrigar moradores de rua. Em Rio Preto, curiosamente, a trupe ocupará um local de celebração religiosa, um terreiro de candomblé. Também inusitado foi o espaço escolhido para abrigar outro espetáculo paulistano de grande sucesso de público, Bichos do Brasil, da Cia. Pia Fraus, que explora a fauna brasileira de forma lúdica. A montagem será apresentada numa arena de Rodeio, ou seja, cavalos e bois serão substituídos por um divertidíssimo jacaré, micos e galinhas d´Angola, entre outros coloridos animais. O festival oferece ainda a oportunidade de conferir produções de fora do eixo Rio-São Paulo. De Belo Horizonte, vêm desde nomes de projeção, como o diretor Carlos Gradim, que apresenta O Coordenador, até o belo espetáculo Coisas Invisíveis, um espetáculo despojado, de histórias que se entrelaçam, narradas de forma simples e precisa, por uma trupe jovem e talentosa, revelação na mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba. De Campo Grande (MS), vem para a mostra A Noiva, criação de Cristina Mato Grosso que explora o difícil tema do incesto e, de Florianópolis, De Malas Prontas, sobre duas mulheres que se disputam num saguão de aeroporto e tem como diretor Pepe Nuñes. Como está tímida a parte internacional do evento, é torcer para que a mostra nacional reserve boas surpresas.

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