Festival de Joinville: Deborah Colker mostra "Rota"

O contraponto entre a Escola de Danças Contemporâneas da Rússia, com as 15 crianças bailarinas de 12 a 15 anos, dirigidas pelo coreógrafo Nicolai Ogryzkov e a atlética Companhia de Deborah Colker que vai apresentar sua coreografia Rota, com uma roda gigante no cenário e elementos acrobáticos na coreografia, vão ser os destaques desta noite no palco do Centreventos Cau Hansen, no 18.º Festival de Dança de Joinville.As meninas de Moscou vão apresentar-se hoje, a partir das 20h, a coreografia Lanterna Mágica. Nicolai explica que esse espetáculo é como a luz da alma. O universo russo parece muito diferente do jeito cartesiano de ser. E é assim que Nicolai se expressa. Ele criou uma coreografia pensando na possibilidade dos mortos poderem voltar na forma de uma energia e confraternizar-se com o cotidiano."Mas não é uma tragédia, é uma dança de crianças", adverte. Ele inclusive nem fala isso para as crianças para que não se assustem nem façam o espetáculo com caras de pessoas mortas. Ele sabe que isso não é lá muito correto, que as está enganando, mas é uma forma de preservá-las também. A música é uma mistura de Bach com folclore africano.A história de Nicolai é a de um guerrilheiro ao contrário. Num país onde a tradição é o lema, ele luta bravamente para manter sua escola de dança contemporânea, a primeira e praticamente a única desde 1991. O coreógrafo formou-se na escola de balé do Teatro Bolshoi e foi primeiro bailarino do grupo de dança folclórica Moyseev, um dos mais importantes do mundo. Jazz e dança moderna ele estudou muito na França, no Instituto Matt Matox.Atlética Deborah Colker Rota não é o último trabalho da companhia mas é o mais indicado para ser apresentado aqui em Joinville, segundo a própria Deborah Colker. "É alegre, tem a dinâmica do adolescente". Criada em 1993, a companhia tem 15 bailarinos e patrocínio da Petrobras.Eles acabam de chegar de Londres, onde apresentaram Mix, uma mistura de duas coreografias, Vulcão e Velox. Deborah explica que não trouxe Casa, sua obra mais recente para Joinville, simplesmente por uma questão de cenário. Casa reflete os movimentos banais do cotidiano, como trocar de roupa, ver tevê, almoçar, jantar etc.Chemical Brothers e Mozart - Pianista durante dez anos, Deborah entrou para o mundo da dança nos anos 70, marcando a cena com espetáculos que somam dança e atletismo. Ela diz ter se inspirado para criar Rota durante uma viagem com os filhos à Disneylândia. "Achei que a física dos movimentos tinha a ver com a companhia, aquela coisa da roda gigante de virar de cabeça para baixo, já que para mim arte é prazer, diversão".A utilização da roda no palco tem a ver com sua visão de que "a roda mudou o mundo, o transporte, a energia, criou o entendimento do sentido circular. A roda é completamente antiga e no palco é completamente nova".O espetáculo tem duas partes. Mistura música erudita e pop. Tem Mozart e Chemical Brothers, por exemplo.Um de seus bailarinos, Rico Ozon, de 22 anos foi malabarista de circo. Os pais eram trapezistas e faziam par no Circo Garcia. Conheceram-se em Cingapura, casaram-se e montaram o próprio circo com este nome. Mas Rico preferiu traçar outros caminhos e entrou para a companhia de Deborah.Hoje, a companhia de Deborah Colker tem vida nacional e internacional. Já se apresentou em Nova York, Toronto, Cingapura Londres e no Brasil jpa passaram por todo o Nordeste, em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, onde farão uma semana de espetáculos de 12 a 17 de setembro, no Teatro Municipal, apresentando três coreografias: Mix, Rota e Casa. Novo espetáculo, só em 2002.

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