Festival de fotografia extrapola as fronteiras de Madri

PHotoEspaña abre nesta quarta em São Paulo sua primeira edição fora da Europa

Simonetta Persichetti - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2013 | 18h53

Dentre os festivais internacionais de fotografia, o PHotoEspaña é um dos mais conceituados. Criado há 17 anos, além de trazer o que de melhor na fotografia europeia, a curadoria do evento sempre teve olhar generoso para os artistas latino-americanos. A partir desta quarta-feira, dia 23, em parceria com o Sesc Consolação, o festival abre pela primeira vez fora das terras madrilenhas e traz para o Brasil exposições que mostram o espírito do evento: “Em geral, temos um tema para cada ano, mas, visto que é a primeira vez que saímos da Espanha, quisemos trazer uma série de exposições que apresentam como nós entendemos a reflexão da fotografia”, relata por telefone Claude Bussac, diretora do evento.

“O Sesc, ao abrigar o PHotoEspaña.br em parceria com a La Fabrica, favorece a criação colaborativa numa oportunidade para troca de conhecimentos, disseminação de saberes e aproximação de experiências culturais”, completa o diretor regional do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda.

Criado com o propósito de discutir a fotografia na sociedade contemporânea, o PHotoEspaña há sete anos vem ensaiando encontrar espaço fora da Europa, levando mostras além de seu país e promovendo leituras de portfólios pela América Latina. “A internacionalização é um dos nossos objetivos principais, e esta parceria com o Brasil é um passo à frente”, confirma Claude.

Desta maneira, nos diferentes espaços ocupados pelas exposições poderão ser vistas a mostra (Re)presentaciones, com 14 fotógrafos que transitam pelo documental e foram escolhidos a partir da leitura de portfólios na Costa Rica e no México em 2012. Já os fotógrafos Luiz Gonzales Palma e Graciela de Oliveira apresentam partes do projeto  Hierarquias da Intimidad, desenvolvido entre 2002 e 2007, no qual instalações discutem a relação familiar, da paixão à separação. Na mesma linha do autodescobrimento, ou do descobrimento do outro, a série de autorretratos do artista espanhol Alberto Garcia-Alix. Polêmico e provocador, apresenta ensaios realizados a partir dos anos 1970 que foram se modificando e transformando até se tornarem apenas fragmentos, momentos, detalhes. Fotos e vídeos selecionados pelo curador Nicolás Combarro procuram traçar uma narrativa das vivências do artista.

Já a brasileira Raquel Brust, expõe gigantografias debaixo do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, no centro de São Paulo. São retratos colados nos pilares do viaduto. Imagens densas, carregadas, que se misturam com a crueza da cidade, propiciando um deslocamento do olhar. Assim, criam nova possibilidade de ver o que passa despercebido por quem transita pela cidade. Não à toa, sua mostra se chama Giganto.

É preciso mencionar ainda a maravilhosa retrospectiva do francês Bernard Plossu. Nascido em 1945, só em 1970 realiza seu primeiro trabalho na Índia. É a partir dessa viagem que desenvolve sua estética dos diários de viagens, compostos por paisagens, rostos, sensações. Uma fotografia romântica, mas por vezes surreal. Se no início fotografava colorido, a partir de 1975 passou a só utilizar filmes em preto e branco. Uma viagem dentro das viagens de Plossu.

PHOTOESPAÑA.BR

Sesc Consolação. Rua Dr. Vila Nova, 245, VilaBuarque, 3234-3000. 10 h/ 21h30 (sáb. até 18h30). Grátis. Até 25/1.

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