Festival de Dança de Joinville abre espaço para a reflexão

Nesta segunda-feira o Festival de Dança de Joinville deu uma trégua para os meninos e meninas que participam da mostra competitiva. Ainda bem. E abriu espaço para a reflexão na programação E por falar em Dança, que começou às 10 horas no Teatro Juarez Machado com o painel Quatro Contextos para Aprender Dança, uma discussão sobre a formação de bailarinos da academia até a universidade.No mesmo horário, o pesquisador Leonal Brum falou sobre Vídeodança. "Esse é um novo segmento, ainda sem bibliografia e uma das leituras possíveis é entender a videodança como um resultado híbrido do pensamento do coreógrafo e do videomaker", observa o pesquisador. Brum apresentou vídeos clássicos e raros, datados do fim do século 19 e obras recentes, como o longa Cinzas de Deus, filme só de dança que entrou no circuito.Silvia Sotter e Carlota Portella, ambas conselheiras do festival, coordenaram a interessante e animada mesa-redonda intitulada Diferentes Olhares sobre a Dança Popular. Participaram os pesquisadores e artistas: Airton Tomazoni (do Centro Municipal de Dança de Porto Alegre), Eleonora Gabirel (Professora da UFRJ e diretora da Cia Folclórica do Rio), Ester Neoti (especialista em dança folclórica alemã) e Valéria Pinheiro (diretora da Cia. Vatá). "Não vamos esclarecer todas as dúvidas e dar respostas sobre esse tema tão complexo que é a cultura popular, apenas levantaremos questões", alertou Silvia Sotter no início do bate-papo. Após a exposição dos convidados, o público saiu com uma nome na cabeça: Nestor Garcia Cancline, que em seu livro Culturas Híbridas, discute a contaminação entre diferentes culturas.Em seguida, numa verdadeira maratona de debates, o pesquisador Roberto Pereira discutiu o significado de dançar em "Dança Não É Coreografia". Para ele, dança é uma idéia, um pensamento que se estrutura no corpo.Ainda hoje, o público poderá conferir o talk-show com a presença da bailarina Tatiana Leskova, o coreógrafo norte-americano David Parsons, que estréia amanhã sua turnê pelo Brasil, e com o professor de sapateado Steve Zee. À noite, dentro da programação da mostra contemporânea, a Cia. Dani Lima, do Rio, apresenta o espetáculo Falam as Partes do Todo?, coreografia que dialoga com as obras da artista plástica Tatiana Grinberg.No domingo, o Teatro Juarez Machado foi inundado pelo clima da dança de rua dos Discípulos do Ritmo. Frank Ejara apresentou o solo Som do Movimento, que tem uma relação estreita entre a dança e o som. Em seguida, a cia. apresentou "Fresta", coreografia de Henrique Rodovalho, coreógrafo do Grupo Quasar.Todo ano, no mês de julho a cidade de Joinville, em Santa Catarina é tomada pela dança. Começou na última quarta-feira o 24.º Festival de Dança de Joinville, que vai até o dia 29. É considerado o maior festival de dança do mundo. Alunos de academias de todo o Brasil, especialmente do balé clássico, mas também da dança contemporânea, do jazz, da dança de rua, do funk... ocupam os palcos instalados em shoppings centers e praças públicas, entre outros locais, atraindo cerca de 200 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores do evento. O destaque deste ano é a companhia norte-americana David Parsons Dance Company, uma das principais da dança contemporânea, como a atração da Noite de Gala, nesta terça-feira. Depois, apresenta-se em São Paulo, nos dias 28 e 29, em Aracaju, Salvador, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte.

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