Festival de dança contemporânea vai a quatro capitais

Em sua 2ª edição, evento foca em estrangeiros de prestígio, como Akram Khan, Batsheva e Louise Lecavalier

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2014 | 19h36

As comemorações pelo centenário de A Sagração da Primavera ainda não acabaram. Criada em 1913, a obra revolucionária que une a coreografia de Vaslav Nijinsky com a música de Igor Stravinski foi intensamente celebrada no ano passado. O Balé Bolshoi fez uma mostra inteira para reverenciar o título. Várias recriações e releituras puderam ser vistas mundo afora: os olhares de Maurice Béjart, de Pina Bausch, da Shen Wei Dance Arts.

Para abrir a 2.ª edição do Festival O Boticário na Dança, que começa nesta terça, 29, a mítica criação volta à baila. Com iTMOi (In the Mind of Igor), a cia. do coreógrafo Akram Khan também visita A Sagração da Primavera e o seu legado transformador.

Acompanhado pela trilha sonora de Nitin Sawhney, Jocelyn Pook e Ben Geada, Khan se pôs a investigar como Stravinski criou novos conceitos para o mundo das artes: Misturou as ideias de belo e feio e evidenciou a relação de interdependência que existe entre elas.

Com uma programação que se estende até o dia 8, o Festival de dança contemporânea começa em São Paulo, com a apresentação de iTMOi, e também vai passar pelo Rio, por Curitiba e pelo Recife. Semelhante à primeira edição, que ocorreu no ano passado, a intenção é mesclar companhias internacionais de renome com grupos brasileiros. "Queremos atender artistas nacionais e internacionais da mesma maneira", aponta Sheyla Costa, que responde pela curadoria do festival com Dieter Jaenicke. Cisne Negro, Primeiro Ato, Focus e o Balé Guaíra respondem pela representação do País. Cada uma se apresentando em uma capital diferente.

Serão quatro os grupos estrangeiros na grade. Além da Akram Khan Company, estão previstas as participações da Batsheva Ensemble, da cia. Louise Lecavalier e da Tao Dance Theater. "Não existe uma linguagem em comum entre elas. O que nos guiou foi a qualidade", comenta Sheyla acerca da escolha dos títulos.

Tanto a Batsheva quanto a companhia de Louise Lecavalier têm lugares já estabelecidos na cena mundial. Fundada em 1964, a Batsheva vem encenar Deca Dance. A coreografia entrou em cartaz no ano 2000. Mas, desde então, não parou de ser reinventada pelo diretor artístico Ohad Naharin. Canadense, Louise Lecavalier integrou o La La La Human Steps e foi saudada, na França, como maior personalidade da dança. Aqui, mostra So Blue, que fez sua estreia mundial na Tanzhaus NRW, em Dusseldorf.

Na ala das novidades, desponta a chinesa Tao. Com pouco mais de seis anos de trajetória, o grupo conquistou espaço na programação das grandes salas e festivais dos Estados Unidos e da Europa. Saudada por cunhar uma linguagem própria, a Tao também se tornou conhecida por combinar elementos de várias artes. Ao lado de uma apurada técnica de dança, entram aspectos do teatro, do cinema e das artes visuais.

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