Festival de Curtas apresenta boa amostra do novíssimo cinema paulista

Uso do som, da montagem e do corpo em filmes são os destaques do evento nesta quinta-feira, 30

FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo,

30 de agosto de 2012 | 03h12

('Corpo Cidade' constrói diálogo entre a dança e concreto. Foto: Divulgação.)

Uma mulher caminha pelo muro gasto pelo tempo da antiga penitenciária do Carandiru, enquanto um grupo de bailarinas dança sobre um canteiro de obras que um dia foi a antiga Rodoviária no centro de São Paulo. Suspensas por fios, atrelados a um balão de ar, as figuras femininas contrastam com o concreto paulistano. Integrante da mostra Panorama Paulista 1 do Festival de Curtas de São Paulo, Corpo Cidade (nesta quinta-fera, 30, às 17 horas, no Cine Olido) é pura poesia concreta e constrói um diálogo forte entre a dureza da capital paulistana e sua ocupação pelo corpo humano. Resultado da experiência do espetáculo As Mulheres do Sol, de Cristiano Cimino, o curta faz do cinema sensorial uma narrativa perfeita para se pensar o espaço urbano.

A seção que Corpo Cidade integra inclui ainda Os Barcos, de Caetano Gotardo e Thaís de Almeida, Aluga-se, de Marcela Lordy, Porn Karaoke, de Daniel Augusto, Avalons, de Carlos Nogueira, e Entre Lá e Cá, de Heloisa Passos. Boa amostra do novíssimo cinema paulista, a seleção traz o cinema sensorial e a relação com o meio como destaque.

Já na competição internacional, o austríaco Apneia (nesta quinta-fera, 30, às 16 h, no Cinesesc) é outro exemplo de cinema que causa sensações e até incômodo. Espécime raro, passa-se inteiramente embaixo d'água e conta a história de uma garota desajeitada em seu próprio ambiente. Em uma convivência surreal com os pais, tem mais dificuldade para dialogar do que respirar no meio aquático.

Outro filme que explora com competência as sensações é Acho Que Chovia, de Gustavo Rosa de Moura (nesta quinta-fera, 30, às 15 horas, na Cinemateca). Integrante do Panorama Paulista 4, tem direção de Gustavo Rosa de Moura (de Cildo) e traz Marina Person no papel de uma mulher solar e tranquila casada com escritor angustiado e em crise criativa. O que se destaca em Acho Que Chovia é a forma com que Moura utiliza a montagem como ferramenta narrativa. O cenário, e até a cena, se mantém o mesmo enquanto é a movimentação dos atores e suas trocas de figurino que dão a noção da passagem do tempo. Os dias passam, mas os diálogos se repetem, em uma rotina comum a qualquer casal. Moura, que está com outro curta em competição no festival, Capela, na Mostra Brasil 5, é belo exemplo de diretor que sabe utilizar o formato para experimentar e contar histórias simples, mas fortes.

Outra atração para os sentidos é a apresentação que O Grivo faz nesta quinta-fera, 30, às 21 horas no MIS. Exímios manipuladores de som, os integrantes do grupo mineiro são responsáveis pela trilha sonora de curtas e longas premiados. Nesta quinta-fera, 30, mostram ao vivo um pouco de sua experiência em construir com som o diálogo entre o cinema e outras artes e locais de exibição, como espetáculos de dança, galerias de arte e teatros.

FESTIVAL DE CURTAS

Locais: Cinemateca, Cinesesc, MIS, Espaço Itaú Augusta, Cine Olido, Cinusp.

Programação: www.kinoforum.org

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